Eu tinha um sonho.
Quando li sobre a guerra de Tróia e o famoso cavalo de madeira, já havia assistido na TV, ao lado do meu pai o filme com Kirk Douglas, "Ulisses".
Fiquei fascinado pela trama e drama de Homero, a ponto de buscar em todos os livros sobre mitologia, as jornadas de Jasão, Hércules, Teseu, Perseu... e, nas prateleiras da biblioteca da escola, livros com esses temas eram presente na minha lista de empréstimos, juntamente com os de Júlio Verne.
Eu não fazia ideia... mas descobri, bem depois, que estava sendo educado como os da velha Acaia foram: através de contos, com a função de incutir em nossas cabeças lições de moral, ética, lógica... provocando em cada um dos leitores - e sorte daqueles que assim eram ainda crianças - a liberdade verdadeira, a de pensar.
Você já velejou? Teve a sorte de sentir o sol e o sal? Percebeu os elementos dos quais dependemos para empreender a viagem?
O vento (ar) que dá força ao velame; A água que dá a superfície e a profundidade; a terra (o sólido da embarcação) que nos permite perceber o equilíbrio ou a base e o sol (fogo), que durante o dia marca o tempo e a direção do oriente ao ocidente e, a noite, representado por todas as outras estrelas da abóbada celeste, a orientação.
Amyr Klink em seu livro "Cem dias entre céu e mar" disse que ao construir o seu barco para a travessia do atlântico a remo, o IAT, foi orientado a equipar internamente a embarcação com acabamento em madeira porque assim teria a sensação de vida a bordo, mitigando a solidão durante a travessia.
Um barco de madeira, desde sempre, é vida.
Parece que o espírito da árvore que cedeu o madeiramento se apossa da embarcação, dando a vida, e não foi sem um propósito que os barcos gregos possuíam rosto em sua proa e a escultura do busto de deuses na popa. As embarcações europeias transoceânicas, dos séculos XVI ao XIX possuíam em suas proas, a anima, esculturas de beldades e outros símbolos que os marujos aprendiam a venerar.
E um barco de madeira fala com quem o conduz. Feliz, singra as ondas e vagalhões lançando ao ar e no rosto o salgado que nos lembra as lágrimas de felicidade. Com medo, range e chora, quando a borrasca é quase insuperável. Silencia, quando vai finalmente ao fundo, gelado e escuro do mundo da morte das embarcações.
Odisseu usou a madeira de uma embarcação para construir o famoso cavalo que representou a ruína de Ílio e dos Troianos.
Aquele sonho, então, era o de construir uma embarcação com o espírito como o da madeira, para quem ousar singrar as ondas do oceano tão conhecido, descubra aquilo que os meus olhos viram e, se permitam, a fascinação.
Recentemente adquiri os dois livros de Valerio Maximo Manfredi, "O meu nome é ninguém" (O juramento/O regresso) - Editora Rocco. Li com vontade, e me deliciei traçando paralelos com o ensinado para mim, há muitos anos, pelo querido Professor Ricardo Buonanni, através de um workshop chamado "Transformando sonhos em realidade". Professores Ricardo e Valerio, peço humildemente as vossas vênia e anuência para transformar o meu sonho em realidade.
Os posts serão semanais e, como não sou escritor, penso que poderei editá-los caso encontre alguma imperfeição ou, melhor, se descobrir no tema algo que vale a pena ser destacado e que poderia estar esquecido.
Boa viagem a todos!




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