domingo, 16 de agosto de 2020

As origens

 



Abenoados sejam os ciclos da carruagem do sol sob o tempo de Chronos.

Abençoados sejam os ciclos da carruagem do sol sob o tempo de Chronos.


As origens

 

Odisseu (Odisseu) recebeu esse nome que significa “filho da raiva”, de seu avô materno, Autólico, rei de Arcânia. Filho de Laertes e Anticleia.


Laertes, filho único de Arcésio, foi um dos Argonautas, na epopeia de Jasão na busca do tosão dourado. Como rei de uma pequena ilha, buscava de tempos em tempos, sair em busca de tesouros, empreendendo viagens ao lado de outros bravos reis e guerreiros.


No pouco tempo que passava em casa, Laertes contava ao filho histórias, atiçava nele a imaginação e fazia querer crescer logo para ganhar o mundo.


Anticleia era filha de Autólico, que era tido como o mais ladino dos homens, o mais formidável ladrão da época. Era frio e cruel, marcando a vida de Odisseu com ensinamentos quanto ao que diferencia um homem de um animal. Temiam Autólico como a um lobo de tal forma, que tinha a fama de ser um “homem lobo”.


Desde muito pequeno, Odisseu levou uma vida diferente dos demais. Ao invés de ficar próximo de seus pais, sempre estava acompanhado de sua babá ou de seu mentor. E, esse importante personagem mostrará que é, na verdade, a manifestação da deusa Atena, construindo o caráter do jovem príncipe de Ítaca com virtudes que farão dele um homem astuto e confiante. 


Há também quem diga que o nome Odisseu significa também “aquele ferido na coxa” e, de fato, na primeira vez que deixou a ilha de Ítaca, em visita ao seu avô, se viu em uma caçada a um javali que terminou com o abate do gigantesco animal sem que, antes, fosse atingido por uma das presas na coxa direita. Algumas releituras impingem à Autólico a autoria do ferimento.


Mal havia chegado de sua primeira viagem, Odisseu foi convidado a acompanhar o pai em uma longa jornada. Nela conheceu uma jovem que parecia sobre-humana devido à perfeição de seu rosto, dos olhos com reflexos violeta. Era Helena de Esparta. Ao longo desta grande viagem, Odisseu cresceu, não apenas com os ensinamentos do pai, mas pelas vivências que o aguardavam em tantos lugares diferentes pelos quais passaria.


Foi nessa viagem que fez contato pela primeira vez com a sua deusa, percebendo que possuía o dom da premonição e da intuição.


Ao passarem por Micenas, reino de Euristeu, Odisseu e Laertes tomam conhecimento do drama vivido por Héracles que, dopado pelo primo e rei, acreditou ter trucidado sua própria família – a esposa Mégara e dois filhos. Euristeu fez com que o oráculo de delfos lhe obrigasse a uma pena que previa doze perigosíssimos trabalhos. 


Coube aos viajantes de Ítaca a missão de levar a única testemunha da grande ignomínia para que esta contasse a Héracles o que havia de fato ocorrido.


Durante a jornada, a pedido da esposa Anticleia, Laertes leva o jovem filho na caverna onde, ao passar a noite, seria testado para saber se, por ser neto de Autólico, o homem lobo, seria também um.


A viagem era, na verdade, um ritual de passagem, do menino Odisseu para o homem que seria rei de Ítaca.


Na volta para casa, sentiu-se estranho. Parecia não caber mais na ilha, tão pequena e apertada. “Fique calmo, dê um tempo, vá pescar com seus amigos, dentro em breve ficará novamente acostumado com Ítaca”, lhe garantiu o pai, experiente em idas e voltas.


As trajetórias de Odisseu e Helena voltariam a se cruzar poucos anos depois, quando a bela moça de 17 anos é pedida em casamento por diversos príncipes. Mentor sugere que Odisseu também seja um pretendente, algo que ele não deseja de todo coração. Apesar disso, viaja a Esparta, para interferir na grande batalha que está se formando. Os príncipes estão dispostos a derramar sangue na disputa por Helena. É neste momento da história que todos ficam conhecendo a perspicácia do jovem príncipe de Ítaca. E, também, é o momento em que ele encontra o amor de sua vida.

Em tratativas com Tíndaro, rei de Esparta e pai de Helena, expõe seu raciocínio e sugere que ao invés de uma disputa de forças, que facilmente se transformaria em combates pessoais, que a princesa escolhesse entre os pretendentes aquele que ela consideraria como seu predileto. E essa escolha seria precedida por um juramento de anuência entre todos os jovens pretensos que previa, entre outras cláusulas, a união de forças para auxiliar o escolhido caso ele viesse a ser impedido de perpetuar seu matrimônio com a princesa espartana. Tíndaro concorda e incube a Odisseu a missão de organizar e dar cabo ao concílio.


Os jovens príncipes de toda Acaia aceitam, firmam o juramento e ocorre o pleito.


Helena escolhe Menelau.


Odisseu não desejava ser o consorte de Helena. Algo o intuía sobre o que viria acontecer a quem desposasse a mulher mais linda do mundo.


Durante o concurso, conhece Penélope, filha de Icário, irmão de Tíndaro e, portanto, prima de Helena. Com ela se casa e voltam para Ítaca.


Autólico, sabendo das núpcias do neto, o convida para visita-lo em seu palácio, na Arcânia. Seria a última vez que Odisseu veria o avô que lhe presenteou com uma arma especial, um arco que só era montado pelo verdadeiro dono dele, não importava o quanto o pretendente a usá-lo fosse forte. Ao entregar a arma ao neto, Autólico falou com ênfase: “nunca tire esse arco de sua casa”.


Odisseu e Penélope passaram a viver no palácio de Laertes, em uma ala construída pelo próprio Odisseu que fez sua cama em uma oliveira que foi preservada dentro da edificação.


Laertes percebendo o grande valor do filho, decidiu fazê-lo rei e se retirou para o interior do seu reino, prometendo a auxiliar o jovem wanáx sempre que ele precisasse.


Então chegou uma visita inesperada ao palácio: Menelau.


Helena havia sido raptada por Páris, príncipe de Troia e levada para Ílio. Menelau exigia que Odisseu convocasse os príncipes que haviam jurado a reciprocidade para que todos fossem resgatar sua esposa.


Odisseu honrou seu compromisso e assim procedeu convocando todos os signatários, partindo da Acaia, algum tempo depois, com seus doze navios e homens para se juntar ao exército grego e frota que já eram em milhares com destino às muralhas de Ílio.

Odisseu prometeu à sua rainha e esposa, Penélope, que voltaria. Deixou o porto de Ítaca acenando para a esposa e filho, o pequeno Telêmaco.


Foram dez anos de derramamento de sangue contínuo.


Pereceram heróis troianos como Heitor, Anfímaco e Enéias.


Foi a guerra que matou Aquiles... Pátroclo e Ajax, além de incontáveis vidas de guerreiros e, no fim, de toda uma cidade incluindo a família real.


Foi de Odisseu a ideia do engodo, o cavalo de madeira que em seu ventre, carregou os que conseguiram dominar a guarda e abrir os portões da cidade.


Esse é o resumo dos motivos que levou Odisseu à Troia e lá, se transformou no guerreiro, quase esquecendo de quem era.


Esse é o resumo da Ilíada.


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