quarta-feira, 8 de abril de 2020

Um sonho, uma bicicleta e uma estrada na Provence

Capitan's log - Data estelar 08042020.07 "Espaço, a fronteira final.
Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, 
em sua missão de cinco anos para a exploração de novos mundos,
para pesquisar novas vidas, novas civilizações,
audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve!"
James Tiberius Kirk



Amo viajar. Nem sempre tenho condições, mas ao menos posso imaginar e projetar uma viagem, que seja, para onde eu quiser... se vou realizar? Não sei.

Tem um lugar que não tem praias incríveis, não tem museus ou monumentos, não tem parques ou eventos culturais, não tem sequer marcos históricos.

É pra lá que sonho em ir. É sério!

Nesse lugar tem uma árvore na beira da estrada, que por sua vez cruza vales de plantações de alfazemas. A estrada é de terra e, nos dias secos, sobe poeira quando os raros automóveis passam por ela.

Não tem posto de gasolina ou estação ou ponto de ônibus; Lá, se vai a pé ou de bicicleta... aliás, no sonho, é assim que me lembro de ter chegado até aquele pequeno pedaço do paraíso.

Era um dia quente e, ao chegarmos, encostei a bicicleta na árvore. Descarreguei a caixa que continha duas baguetes, uma garrafa de vinho, umas frutas e um pedaço de queijo. Sentamos na sombra, sobre as raízes. A brisa leve fresca aplacava o calor do dia... não era como se fosse chover – não era abafado - na verdade as nuvens que passavam pelo vale não eram de chuva.

O perfume das flores prenunciava que a colheita estaria próxima.

Me lembro também do gorjear de pássaros que provavelmente também aproveitavam a sombra. É curioso que todas essas sensações venham à minha mente como se fosse um tempo vivido nessa vida. Cheiros, sabores, sons, tato e cores.

Quando preciso de um refúgio, vou pra lá.

Assim fiz quando “apaguei” nas vezes que fui anestesiado... as múltiplas noites insones por preocupações... quando o medo bate forte e esqueço da esperança e da fé.

Lá eu encontro paz.

Então um dia, numa sessão de terapia, que não rolou o divã mas, sim, uma mesa com cartolinas, tintas e pincéis - teria o tempo da sessão para pintar o que eu quisesse. Adorei porque sempre fui dos pacientes que se expressavam pelo falar ou escrever e não curto os exercícios corporais da bioenergética (stu e exercícios de des-controle, etc). 

Então peguei, desconfiado, o pincel e os potinhos de tinta. Uns quinze minutos, et voilá! A pintura tava pronta e levantei para pegar um copo dágua.

Pedi desculpas pelos garranchos e quando virei e vi a cara de espanto da terapeuta, que perguntou se eu pintava com frequência, me dei conta do que tinha ido pro papel.

Olha, na vida toda, se eu pintei uns 3 quadros (contando com os quadrinhos das aulas de arte na escola primária) foi muito. Sim, admiro os artistas impressionistas do século 19 (fiz menção a eles no post https://malucoerrante.blogspot.com/2008/08/um-click-e-luz-fica-para-sempre.html), gosto de fotografar e até tenho um certo senso de estética para isso, mas longe, muito longe, de me considerar um pintor amador. Não sei misturar as cores ou escolher os pincéis pelas cerdas ou efeito que se dá na pincelada. Então fiquei surpreso com que “saiu” naqueles quinze minutos.

Tá, obra mediúnica? Pode ser (acredito nisso e, talvez, em outro post eu diga algo sobre a mediunidade), o fato é que a imagem representava o lugar onde eu ia em refúgio, ao menos para mim acostumado a ver aquele cenário. Estavam ali a árvore, o campo de alfazemas, o céu, a estrada e o sol batido.  E as pinceladas eram de alguém que sabia o que fazia.

Então eu fui descobrir onde seria aquele lugar e pimba! Era a Provence.

A Provence é uma região da França, no sul, quase mediterrânea, conhecida pelas plantações de alfazemas e alguns queijos e vinhos.

Nos shoppings centers tem uma rede de lojas de produtos de beleza e perfumes chamada L’Occitane cuja imagem do marketing é justamente a da região Provence. E, não, não mesmo, foi coisa do meu subconsciente, nem na loja alguma vez fui. Sei da correlação porque quando comentei, algumas pessoas falaram dessa franquia.

Pois é, se eu pintei ou pintaram através de mim, a pintura existe e eu não sou pintor... e já estive lá.




Um comentário:

Unknown disse...

Acho isso simplesmente maravilhoso, não tenho dúvida que isso possa fazer parte da sua vida,e tenho certeza que esta protegido, amparado e guiado por mentores. Adoro vc.