Capitan's log - Data estelar 08042020.07 "Espaço, a fronteira final.
Estas são as viagens da nave estelar Enterprise,
em sua missão de cinco anos para a exploração de novos mundos,
para pesquisar novas vidas, novas civilizações,
audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve!"
James Tiberius Kirk
Amo viajar.
Nem sempre tenho condições, mas ao menos posso imaginar e projetar uma viagem,
que seja, para onde eu quiser... se vou realizar? Não sei.
Tem um lugar
que não tem praias incríveis, não tem museus ou monumentos, não tem parques ou
eventos culturais, não tem sequer marcos históricos.
É pra lá que
sonho em ir. É sério!
Nesse lugar
tem uma árvore na beira da estrada, que por sua vez cruza vales de plantações
de alfazemas. A estrada é de terra e, nos dias secos, sobe poeira quando os raros
automóveis passam por ela.
Não tem
posto de gasolina ou estação ou ponto de ônibus; Lá, se vai a pé ou de bicicleta... aliás, no sonho, é assim que me lembro de ter chegado até
aquele pequeno pedaço do paraíso.
Era um dia
quente e, ao chegarmos, encostei a bicicleta na árvore. Descarreguei a caixa
que continha duas baguetes, uma garrafa de vinho, umas frutas e um pedaço de
queijo. Sentamos na sombra, sobre as raízes. A brisa leve fresca aplacava o
calor do dia... não era como se fosse chover – não era abafado - na verdade as
nuvens que passavam pelo vale não eram de chuva.
O perfume
das flores prenunciava que a colheita estaria próxima.
Me lembro
também do gorjear de pássaros que provavelmente também aproveitavam a sombra. É
curioso que todas essas sensações venham à minha mente como se fosse um tempo
vivido nessa vida. Cheiros, sabores, sons, tato e cores.
Quando
preciso de um refúgio, vou pra lá.
Assim fiz
quando “apaguei” nas vezes que fui anestesiado... as múltiplas noites
insones por preocupações... quando o medo bate forte e esqueço da esperança e
da fé.
Lá eu
encontro paz.
Então um
dia, numa sessão de terapia, que não rolou o divã mas, sim, uma mesa com
cartolinas, tintas e pincéis - teria o tempo da sessão para pintar o que eu
quisesse. Adorei porque sempre fui dos pacientes que se expressavam
pelo falar ou escrever e não curto os exercícios corporais da bioenergética (stu e exercícios de des-controle, etc).
Então peguei, desconfiado, o pincel e os potinhos de
tinta. Uns quinze minutos, et voilá! A pintura tava pronta e levantei
para pegar um copo dágua.
Pedi
desculpas pelos garranchos e quando virei e vi a cara de espanto da terapeuta,
que perguntou se eu pintava com frequência, me dei conta do que tinha ido pro
papel.
Olha, na
vida toda, se eu pintei uns 3 quadros (contando com os quadrinhos das aulas de
arte na escola primária) foi muito. Sim, admiro os artistas impressionistas do século
19 (fiz menção a eles no post https://malucoerrante.blogspot.com/2008/08/um-click-e-luz-fica-para-sempre.html), gosto de fotografar e até tenho um certo
senso de estética para isso, mas longe, muito longe, de me considerar um pintor
amador. Não sei misturar as cores ou escolher os pincéis pelas cerdas ou efeito
que se dá na pincelada. Então fiquei surpreso com que “saiu” naqueles quinze minutos.
Tá, obra
mediúnica? Pode ser (acredito nisso e, talvez, em outro post eu diga algo sobre
a mediunidade), o fato é que a imagem representava o lugar onde eu ia em
refúgio, ao menos para mim acostumado a ver aquele cenário. Estavam ali a
árvore, o campo de alfazemas, o céu, a estrada e o sol batido. E as pinceladas eram de alguém que sabia o
que fazia.
Então eu fui
descobrir onde seria aquele lugar e pimba! Era a Provence.
A Provence
é uma região da França, no sul, quase mediterrânea, conhecida pelas plantações
de alfazemas e alguns queijos e vinhos.
Nos
shoppings centers tem uma rede de lojas de produtos de beleza e perfumes
chamada L’Occitane cuja imagem do marketing é justamente a da região Provence. E, não, não
mesmo, foi coisa do meu subconsciente, nem na loja alguma vez fui. Sei da correlação
porque quando comentei, algumas pessoas falaram dessa franquia.
Pois é, se
eu pintei ou pintaram através de mim, a pintura existe e eu não sou pintor... e já estive lá.