quinta-feira, 19 de março de 2020

All You Need Is Love, Love Love Is All You Need



CAPITAIN´S LOG - Complemento... "Num passado não tão remoto tínhamos a tecnologia da ciência, o poder econômico para mitigar a pobreza, forças militares que imporiam a vontade e, não obstante, incapazes de lidar com as nossas sombras, sucumbimos ao mais elementar de todos os vícios: a soberba. Um silencioso e diligente fruto de nossa imprevisão moral se fez presente reduzindo à ignorância aqueles incapazes de explicar sua existência, à miséria os que tanto detinham e ao pó, inúteis, armas e soldados...". 

Queridos amigos, este post foi escrito num dos dias que antecederam à grande onda do convid-19 na cidade de São Paulo. 

Assustados, nós paulistanos - principalmente os da móoca - vimos o desenrolar dos acontecimentos na Itália. Somos milhões de brazilianos, ainda filhos netos ou bisnetos de uma nona matriarcal que nos ensinou tanto sobre tradizione, famíglia e cuore

O virus foi devastador aos nonos e nonas.

Por aqui, quem tem algum amor a quem nos trouxe a esse louco mundo, os resguarda nesses dias cor de bronze. Foi a lição que a Itália nos deu: "resguarda os idosos, são os mais vulneráveis". 

Outra lição que nos foi ensinada - e agora estamos na prova - é a que ninguém é uma ilha, que ninguém está sozinho; O que fazemos com os nossos pensamentos e sentimentos reverbera no próximo. A atitude perante o consumismo desenfreado, a desvalorização da vida - na verdade, levando-a como algo venal, o egoísmo como mote e direito defendido à guisa da justiça... receita certa para a queda.

Serão dias cor de bronze.

Enquanto poucos se fecham em casa, sob o pretexto de "fazer sua parte para o coletivo", na verdade, se fecham porque é o que melhor que fazem desde sempre. Ao se fecharem, esquecerão os que não tem para onde ir, os que, ainda que reclusos em sanatórios ou asilos, padecem de carinho e atenção.

Se há algo de bom no convid-19, é exatamente isso, o de expor o quanto somos egoístas e mesquinhos, soberbos.

E a soberba é confrontada e desmascarada pela cínica realidade.

Aqui nesse país tropical, temos um verão com muito sol e, até que o outono realmente possibilite o início do inverno, teremos muitos dias quentes e noites convidativas para saraus, usando roupas leves e alegres.

Na Itália, no andar de cima desse planeta, fez frio.

Como seria para os moradores de rua enfrentar a epidemia se agora fosse inverno como na Itália? 

Nos vemos como heróis que irão defender a pátria do virus malvado, esquecendo que não somos as vitimas... na verdade, estaremos em casa, contando vil metal (Belchior)- e protegidos e, lá fora, nas ruas estão os que não tem casa ou o vil metal.

Mas há o que fazer? Há.

Teremos aproximadamente 45 dias para o tempo ameno chegar; É o tempo que teremos para coletar agasalhos, cobertores e abrigos para serem doados nas campanhas que, tenho esperança, irá pipocar por toda cidade.

Comece a prestar atenção no desperdício da sua cozinha; e, se for inevitável a sobra, separe e tente formar ao menos uma marmitinha  para ser levada a alguém perto da sua casa - quantas vezes naquele "churras" do "niver" não sobrou um monte de carne picada que ninguém quer mais porque tava empanturrado? e os pães, então? em todo churrasco em São Paulo tem que ter o famoso "pãozinho" que compram em dúzias e ninguém consome ... junte os dois... vai dar pra fazer ao menos uns seis sanduíches. Leva ali pertinho da igreja, sempre terá alguém que não comeu nada naquele dia.

Você deve estar pensando "pô, não dá nem pra sair de casa, quanto mais fazer churrasco"... então, isso vai passar. E depois? Você, eu, a torcida do corinthians, do palmeiras (sem mundial), do são paulo e do santos, juntos, vamos celebrar o sobreviver. Então é sobre valorizar estarmos vivos que estou escrevendo nesse post. É sobre, de uma vez por todas, aprendermos a conviver e cuidar do próximo; É sobre família, de levarmos àquele vô ou vó o nosso carinho enquanto eles ainda podem receber e perceber; É sobre a nossa casa de portas abertas para o nosso vizinho que nem sabemos o nome; É sobre dividir o excedente com quem nada tem.

No post passado (agosto/2019) mencionei que buscamos incessantemente dar sentido a vida; Isso é dar sentido.

Se vamos ser contaminados pelo convid-19 e, se vamos sobreviver, não dá pra saber e, de boa, não é a fonte dos nossos medos.

O que nos dá medo é viver uma vida vazia e sem sentido; onde sabemos o preço das coisas mundanas como litro de uisque ou do conjunto de maquiagem (elas) de qualidade, mas nem nos damos conta de que tem gente igualzinha a nós (a não ser que se considere melhor do que os outros, aí mano do céu, você, na verdade, é pior) que sentiria uma baita felicidade se tivesse R$ 10 para comprar uma refeição.

Eu vivi uma vida vazia e sem sentido; Ela era miserável.

Espero nunca mais ser tão miserável novamente.

Dá trabalho? ô se dá!

Pega aí o notebook, celular, tablet, o que seja que te faz ler esse post e dá uma "gugada" em "trabalho social", "benemerência", "cuidar do próximo"... sei lá! mas com certeza encontrará um monte de oportunidades.

Você sabe fazer pão? macarronada? feijuca? então olha só:

O pão, faça uma fornada extra e leva naquele asilo... terá quem sorrirá por sentir o teu carinho ao saborear um pedaço do que você faz de melhor.

A macarronada e a feijuca? Junte forças em instituições que cuidam de crianças carentes como creches e centros de instrução para jovens, sempre que podem eles organizam eventos para arrecadar recursos para tocar as obras.

Você é bom em contar estorinhas? Creches com crianças carentes tem um lugar para você no tempo que dispor a fazer isso.

Você também pode ouvir os vovôs e vovós órfãos dos familiares, sozinhos, nos abrigos e asilos. Eles são carentes de carinho, de serem ouvidos e de serem vistos depois de uma existência toda aqui nesse mundo.

Cantar - quem canta os males espanta - acredita, crianças especiais amam música cantada!

Sim, devemos esperar tudo isso passar; E vai. 

Porém, depois, deveremos estar confiantes, fortalecidos e determinados a fazermos do jeito certo dessa vez. 

Meus queridos amigos, por aqui fico; Espero de coração ter contribuído com essas palavras para lhes inspirar. E, se me permitem acrescentar: "Somos espíritos vivenciando uma experiência material" em uma jornada com objetivos que nós mesmos nos propomos e, que, o tempo, é agora.

Beijo no coração de todos vocês!








Um comentário:

Unknown disse...

Estou com você..!
O altruísmo é a única garantia de felicidade.💕