terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Bia e o Saci

Data Estelar 28102008
Diário do Capitão – Nossa equipe de ciências está estudando uma nova civilização com a qual acabamos de fazer o primeiro contato. Em especial, as crianças que parecem ter a consciência adulta. Enfim, esperamos aprender mais para podermos aplicar esse conhecimento em prol dos povos que precisam se desenvolver.

Pois bem, as crianças de hoje vem com software de última geração. Por exemplo a Bia. Parece até que é expert em folclore brasileiro. Nesse fim de semana fomos passear num shopping e lá havia uma sessão de teatro infantil. Sentamos nos puffs destinado ao público e esperamos.

Sabe, parece que fico puxando o saco (é corujisse mesmo)... sei lá, que se dane! Alguém me explica por favor como uma menininha de três anos é capaz de dizer coisas como: “cavalgar” ao invés de andar a cavalo, os plurais corretos, contar histórias com começo, meio e fim, eleger um dia da semana (o dela é quinta-feira e não me pergunte porquê) como o que tudo acontece...?

A peça começou. Era uma que contava a história do bumba meu boi com sotaque nordestino e zabumba.

Quando ela tinha cerca de quatro meses, na festa de passagem do ano, já demonstrava como interagia com o ambiente. Enquanto estouravam os fogos, eu dizia pra ela: “Bia, bum,!” Então quando não repetia a ladainha, ela me olhava com a carinha de “estorou uma bombinha e você não me tranqüilizou!”... Com seis meses esticava os olhinhos para ver o que a prima Carol fazia no quarto com as amigas (e queria estar lá com elas). Aprendeu a falar mamãe... depois papai... então tudo era mamãe-bliebrrr-papai...

Os dois personagens infernizavam a vida do boi falando de pratos que o ingrediente principal era carne bovina até que o coitado do chifrudo bateu com as quatro.

Quando voltei da primeira viagem que durou vinte dias, estava morrendo de saudades... e de medo também. Pensava que ela não iria lembrar de mim. Engano meu, quando passei pelo portal da sala ela pulou do colo da avó e saiu correndo para me encontrar.Pulou no meu colo gritando papaaaaaiiiii!

O público sentado nos puffs da frente, esquecidos que atrás vem gente (digo, tinha), não colaboravam e foi preciso sair dos bamboleantes puffs e ficar em pé do lado de fora com a Bia sentada em meus ombros – tipo cavalinho.

Aprendeu a articular as frases logo estava perguntando “que é isso?” “porque aquilo”... e lógico, o “não” pra tudo.

Antes de andar a Bia passou como todo bebê pela fase do engatinhar. Só que ela engatinhou de um jeito engraçado... eu apelidei de “engatibunda” porque ela engatinhava com o bumbum no chão. Certa feita, num passeio na Praia Grande, ela se viu de repente, numa praiona cercada de areia! Livre pra engatibundar! E deixamos ela se divertir... e deu cada piau! Rápida, quando vimos já estava bem longe engatibundando pela areia da praia. Voltamos para o apartamento ela parecia um tatuzinho com areia até no cabelo.

Depois de chorar as pitangas até para o “Padim Ciço”, a dupla se viu em maus lençóis. Como devolver o boi para o dono daquele jeito? E foi quando apareceu o tal neguinho de carapuça vermelha... e eu perguntei pra Bia: “nossa! Quem será aquele?” e ela respondeu baixando a cabecinha do lado do meu rosto: “ é o saci, pai”.

No sítio, ficou amiga da galinhada. Foi um tal de dar comida pras galinhas até quase estourar o papo delas de tanto jogar milho. E a Vó Melha (Vovó Amelia) ainda contou histórias de pintinhos e suas mamães... até que surgiu o filhote da angola. Era um filhote, e fazia muito tempo que elas não procriavam, e foi cuidado com carinho. Então numa tarde que a Bia estava por lá, um gavião deu um rasante no galinheiro visando capturar o jantar e a angolada deu o alarme, ou melhor fez uma algazarra daquelas. A Bia correu para o terreiro com a avó e viram o tal penoso sobrevoando a área. Ela ficou muito brava e falava para o gavião: “ Vai embora malvado! Não vai pegar o filhote da angola, não!” – tenho tudo gravado em DVD – Mas como proteger a cria quando as maiores vão dormir nos galhos das árvores em volta do galinheiro e o filhote fica pulando próximo querendo subir lá também? Uns dias depois ficamos sabendo que o filhote havia sumido. A Bia foi taxativa: “Foi o gavião”.
Naquela noite, em casa enquanto nos preparávamos para ir dormir, confabulava com a avó lá na cozinha. Não sei o que conversaram, mas quando fui chamá-la para colocar o pijama, enquanto a avó dizia que queria ser uma galinha e ela era o pintinho, ela dizia que era a galinha.

Daí eu olhei para aquele rostinho ornado de cachinhos e perguntei: “Sací, Bia?” “Você sabe como e anda?”... ela respondeu: “Ele não anda, pai...ele pula”.






4 comentários:

Anônimo disse...

Daniel, também mudei de casa. Estou no wordpress.
www.lucynthesky.wordpress.com
Bem melhor que o Terra.
Abs.

Anônimo disse...

Amigo, filha de peixe peixinha é! Ela é você, em miniatura!
Adorei a estória! Bjs!

Anônimo disse...

Olá, no seu texto percebemos a magia do olhar para as felicidades da vida, assim como, o amor incondicional da relação entre pais e filhos. Parabéns!
Aproveitando, agradeço o gentil comentário que deixou no meu blog ( o mais antigo)...

Anônimo disse...

Só agora te achei! Vou pôr a leitura em ordem,depois a gente conversa...