segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Nos céus de ícaro


Data Estelar 21022008
Diário do Capitão - A caminho do sistema Paris III, fomos atacados por uma flotilha de naves desconhecidas. Estamos trabalhando duro para nos prepararmos para um novo ataque. Nossas baixas são enormes mas vamos resistir.


Ultimamente tenho viajado a trabalho o que tem acrescentado umas horas “extras” no brevê do meu anjo da guarda e uns pontos no programa de milhagem. Confesso que apesar de ficar bem cansado pelo stress das conexões, atrasos e compromissos rigorosamente cumpridos a contento, não tenho muito do que reclamar.
Salvador, vista durante a decolagem no entardecer, já com o sol rasante, é uma imagem simplesmente mágica! E quando o avião alcança a altitude logo acima das núvens mais densas e o sol colore tudo com uma cor alaranjada? Meus olhos ficam até marejados – sabe aquele cenário de filme épico que retrata o céu para um ato grandioso de Deus? fico agradecido ao Altíssimo pela saúde perfeita dos meus olhos e a oportunidade.
Aproveito o maximo nos vôos. Só não os “lanchinhos” nessa época de low fare que quando não é barrinha de cereais ou amendoins, é aquele saquinho com dois biscoitinhos salgados igual aos que os laboratórios de coleta de exames distribuem depois de deixarmos nossa contribuição hemógloba... mas voltando à terra, digo, aos ares, espeto o meu headphone na tomada do braço da poltrona e vou curtindo as músicas disponíveis do sistema de mídia sonora do avião. Hã? Quando não tem disso? Ahá! Puxo o famigerado MP3 com mais de 12 horas de músicas selecionadas e não me aperto.
Por falar em se apertar, perceberam a distância entre as poltronas? Mais um pouquinho de nada se um quiser deitar o encosto, todos terão de fazê-lo também! Imaginem a cena: “Aqui é a chefe de cabine Aeromoça Linda e é chegada a hora do relaxamento em vôo para os passageiros da fileira “c”. Então ao meu comando todos deverão premer o botão que fica no braço esquerdo de seu assento e empurrar com as costas – todos ao mesmo tempo, por favor – até o ponto máximo de inclinação...” patético, né?
E as aeromoças? Ah! meu Deus! Como elas conseguem ser tão, tão? Risos a beça... Olha, público feminino desse blog, antes de me esculhambarem, por favor dêem um pouquinho de atenção ao que ressalto sobre àquelas beldades. Eu acredito piamente no charme que toda mulher tem mas, me expliquem por favor, o feitiço que faz todo marmanjo - em seu juízo perfeito – aproveitar a oportunidade enquanto convivem com suas presenças, viajar na imaginação e se apaixonar por por aquelas moças no tempo que dura a viagem!
Mas continuando com o assunto da vista aérea, quando dá para sentar na poltrona da janelinha, parece que viramos crianças... Outro dia voltando de Ilhéus - e lá a decolagem se dá direto para o mar - quando o avião subindo virou para retornar ao continente, ví a lua! E que lua! Cheia de graça!
Fiquei imaginando o comandante alguns minutos antes, quando fazia decolar aquele avião de frente para aquele luarão, se não passou ao menos por uma fração de segundos em sua cabeça a idéia de quando era garoto ele teria brincado de astronauta – para ir a lua – e, pilotando uma máquina de última geração com 130 passageiros e 8 tripulantes, indo para os céus, de frente para a lua – que sensação!
Eu gosto de voar. Tá bom, você deve estar me achincalhando agora: “Esse aí passa a vida toda a cinco centímetros do chão e quando está lúcido...” Mas gosto mesmo. A primeira vez foi quando a minha família mudou para Recife/PE. Eu tinha cinco anos, embarcamos num vôo da Varig em Congonhas e... sempre que era possível voávamos de cá pra lá e de lá pra cá.
Eram aviões Boeing 727 (com três turbinas na traseira); Uma vez, numa conexão inesperada do Rio de Janeiro para São Paulo, experimentei o novo 737, um aparelho da Vasp.
As principais companhias brasileiras da década de 70 (Cruzeiro, Varig, Transbrasil e Vasp) utilizavam o velho e confiável trijato 727 como principal veículo das suas frotas. Logo, o 737 – muito parecido com os de hoje, só que com motores menos econômicos e bem mais barulhentos – foram tomando o seu lugar.
Eu não voei num 707 ou o 747 jumbo porque eram destinados para linhas internacionais e só cruzei a linha do equador com destino a europa em 2000 (e num Airbus A340). Mas andei nos clássicos turbo-hélices Electra II da ponte aérea, num Embraer Bandeirante, num Airbus A300 velho caindo aos pedaços (mas chegou inteiro comigo dentro), num Bombardier igualzinho o Embraer 190 e no próprio também; num aviãozinho com dois motores a hélices cujo modelo e fabricante não me recordo (Saab); no Embraer Brasília voei recentemente pelos céus da Bahia. E foi indo pra lé que voei no ATR 42 e ví lá de cima a Chapada Diamantina. Tive o privilégio de voar nos Fokker 50 e 100 (quando este ainda era a sensação no tranporte); Todas as vezes que fui para os EUA fui (e voltei) de 767.
A aventura aérea mais maluca foi quando voei num ultraleve em Natal/RN (o mesmo que depois caiu matando o piloto e o passageiro – turista paulista).
Do chão, quando aprecio um avião lá no alto e ganhando altura para seu vôo de cruzeiro, nunca me conformo de não estar lá em cima. Teve um ano, acho que foi em 2004, que batí todos os meus recordes de ir ao aeroporto sem viajar. Encheu o saco levar e buscar o povo com aquela cara de quem voou (e eu não!).
Quando garoto, economizei uns trocados e comprei cinco balões (bexigas) com gás. Levei pra casa e com um cachepô de vime trançado, fiz um “aerostato” (tirei esta do fundo do baú) que voou! É bem verdade que bateu no teto da sala de casa, mas voou. Era o meu dia de Santos Dumont. Fiz muitos quadrados e pipas; Balões nas festas juninas – o meu pai me ensinou a fazer o do tipo “mixirica” e o “caixa”; Aviãozinho de papel então, nem se fala (outra vez conto umas de quando trabalhava num prédio no vale do anhangabaú) e construí dois aeromodelos de madeira wire-control que só não acrescentei os motores porque eram muito caros. Mas fiz voar uns pequeninos propelidos a torção de elástico.
Não sei porque não entrei para a aviação. Certa feita até fui no aeroclube de São Paulo perguntar o que precisava para me tornar um piloto privado. Era muito caro e sem chances a curto prazo (mal ganhava para pagar a faculdade). Para encerrar o post vou contar aqui um sonho que tive quando era garoto:
“De repente, como mágica, saí do chão. Minhas asas batiam forte! Era fácil fazê-las me levantar Então subí, além do que imaginava, e ví o céu que não via lá de baixo... acima das núvens. A lua brilhava, cheia. O vento então se mostrou com uma lufada forte que me fez desviar do caminho; Retomei com coragem o vôo sem me largar a cair. Percebí então que lá em cima que era o céu, também tinha um céu! Lá as estrelas brilhavam mais; Talvez porque estavam mais perto de Deus".

1 comentários:

Claudia Balsabino disse...

Dan, é bom chegar aqui e encontrar sempre o inusitado, vc consegue banalizar situações e nos fazer refletir e sorrir. Bjs!!