Data Estelar 01062008 - Capitan's log - Hoje é um dia especial para a frota estelar. É o dia do pioneiro. Todos os corajosos primeiros viajantes são lembrados nesse dia de festa. O navegantes do século XV e XVI, os astronautas do século XX, os primeiros contatos com novas civilizações de outros sistemas solares enfim, todos os destemidos pioneiros que construíram a imagem da espécie humana como a de seres viajantes e descobridores de novas fronteiras "Indo aonde nenhum foi antes".
Você já sabe bater pernas e como usar os braços... agora vai! O professor me lançou a frente com força e só tive uma opção: chegar no outro lado da piscina. Bati a cabeça na borda mas não doeu, nem liguei, mas nunca subi tão rápido no deck. Foi assim que dei as primeiras braçadas e aprendi a nadar.
Nadar é como voar. O corpo desliza pela água como os pássaros fazem em voo. É a liberdade de se sentir leve e capaz. No começo era só nas aulas de natação no velho Olinda Praia Clube, depois aconteceu o batismo de fogo (ou de água) em Itamaracá quando voltávamos – eu e a Dai de um passeio e precisávamos cruzar um canal que a maré formava quando na enchente – o meu pai estava do outro lado e ficou orgulhoso de nos ver cruzar nadando como peixinhos.
Certa feita eu, o Mucio e o Geraldo – amigos em uma infância rica em aventuras – fomos “navegar” com o bote inflável que eu ganhei do Pe. Geraldo. A praia era a de Casa Caiada porque era a mais próxima. Passamos no posto de gasolina pra dar um grau na pressão das câmeras do bote e descemos até a praia. Estudamos a rota – iríamos direto até o dique frontal, depois seguiríamos até a abertura e cruzaremos para o mar aberto, ou seja, do lado de fora do dique; remaríamos até ficarmos longe o suficiente para que as ondas não nos jogasse contra o dique e seguiríamos até a outra entrada 1.500m adiante. Com o plano devidamente explicado lá fomos.
Da beira até o dique tudo certo. Percebemos que de perto, os diques seguravam (de fato) as ondas. Os respingos levados pelo vento começaram a cair em nós já no último terço da primeira travessia. O barulho da arrebentação também mandou recado. Mas nós, desbravadores e pioneiros (fomos os primeiros malucos a sair com um bote inflável ao mar cruzando os diques – era 1978) não amarelamos, continuamos na remada.
Da beira até o dique tudo certo. Percebemos que de perto, os diques seguravam (de fato) as ondas. Os respingos levados pelo vento começaram a cair em nós já no último terço da primeira travessia. O barulho da arrebentação também mandou recado. Mas nós, desbravadores e pioneiros (fomos os primeiros malucos a sair com um bote inflável ao mar cruzando os diques – era 1978) não amarelamos, continuamos na remada.
Quando giramos o bote e aproamos a saída (aqui é um blog de navegador, então usamos termos náuticos), percebemos que só dois remos era pouco. Mas enfrentamos as ondas e seguimos... Daí veio uma na diagonal... e foram os três pra fora do bote na capotada!
Nadamos o mais rápido possível e recuperamos os remos, desviramos o bote e pulamos dentro.
Retomamos a remada e seguimos, mas estávamos no meio da arrebentação e próximos demais do dique. Veio outra e das bem grandes... outra capotada e o pior, o bote subiu com o vento, bateu nas pedras do dique e caiu do outro lado! Voltamos os três pra resgatar o bote rezando para que as cracas nas pedras não tivessem cortado o tecido emborrachado.
Verificamos e subimos... Agora sabíamos o que iríamos enfrentar... e remamos na direção da abertura. Saímos e remamos com força para vencer as ondas e ficar longe da arrebentação, um minuto e outra das grandes levantou o bote, mas conseguimos nos segurar. Retomamos a remada e saímos da arrebentação. E aconteceu que ficamos subindo e descendo as marolas que iriam virar ondas. Descansamos e olhamos os diques... Dava medo de ver os morros arrebentando nas pedras. Os borrifos subiam e formavam uma cortina por cima do dique.
Tubarão...
Me deu na cabeça naquele momento. Perguntei pro Mucio se ali dava cação ou tubarão... ele – era o mais velho, tinha quase 18 anos – disse que sim. Mas antes de um aparecer, daria pra sentir cheiro de melancia... (ficamos os três cheirando o ar).
Continuamos o percurso, aqueles "um quilômetro e meio" foi coisa de pelo menos quarenta minutos sem parar. Antes fosse menos. Acostumamos com o mar macio e esquecemos que a reentrada seria com os mesmos perigos da saída, com um agravante: a maré estava enchendo e havia uma correnteza forte que se não tomássemos muito cuidado poderíamos virar com as ondas e sermos jogados nas pedras. E quase aconteceu isso.
As ondas de través (olha outro termo náutico, chic, né?) bateram forte e giraram o barco! A correnteza nos arrastou pra dentro do canal que era rente as pedras de uma das pontas dos diques. Por fim entramos de ré, isto é, de costas porque não conseguíamos aproar. Remamos até a praia e... acabou a aventura.
Sabe, hoje lembrando da façanha, fico me perguntando por onde anda esses meus amigos de aventuras. O Mucio, soube que casou e foi trabalhar com o irmão numa atividade qualquer. O Geraldo, bom de bola e estudioso (coisa incomum de ser encontrada numa mesma pessoa) se formou em processamento de dados e trabalhava no Bandepe. Será que eles se recordam do fato de termos sido os primeiros a contornar os diques de Olinda num bote inflável amarelo?



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