domingo, 14 de setembro de 2008

Too much monkey business - Chuck Berry

Olha pessoal, tô aqui em Maceió, sem bagagem (mandaram a minha pra Aracajú), sem tomar banho, não conseguí pregar o olho a noite toda (não durmo em vôos noturnos e o quarto do hotel era minúsculo, sem janelas, abafado, quente - com o ar condicionado quebrado!). Então lembrei desse hit do Chuck Berry de 1956... dá certinho!



Running to and fro, hard-working at the mill
Never fails in the mail, yeah, comes a rotten bill
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again

Salesman talking to me, trying to run me up a creek
Say, "you can buy, go one and try, you can pay me next week"

Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again

Long-haired, good-looking, trying to get me hooked
Wants me to marry, settle down, get a home, write a book

Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again

Been to Yokohama, been a-fighting in the war
Army bunk, Army go, Army chow, army clothes

Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again

Same thing, every day, getting up, going to school
No need of me complaining, my objections over-ruled

Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again

Working in the filling station, too many tasks
Wipe the windows, check the tires, check the oil, the dollar gas

Too much monkey business
Too much monkey business
Don't want your botheration, get away, leave me

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Nos céus de ícaro


Data Estelar 21022008
Diário do Capitão - A caminho do sistema Paris III, fomos atacados por uma flotilha de naves desconhecidas. Estamos trabalhando duro para nos prepararmos para um novo ataque. Nossas baixas são enormes mas vamos resistir.




Ultimamente tenho viajado a trabalho o que tem acrescentado umas horas “extras” no brevê do meu anjo da guarda e uns pontos no programa de milhagem. Confesso que apesar de ficar bem cansado pelo stress das conexões, atrasos e compromissos rigorosamente cumpridos a contento, não tenho muito do que reclamar.
Salvador, vista durante a decolagem no entardecer, já com o sol rasante, é uma imagem simplesmente mágica! E quando o avião alcança a altitude logo acima das núvens mais densas e o sol colore tudo com uma cor alaranjada? Meus olhos ficam até marejados – sabe aquele cenário de filme épico que retrata o céu para um ato grandioso de Deus? fico agradecido ao Altíssimo pela saúde perfeita dos meus olhos e a oportunidade.
Aproveito o maximo nos vôos. Só não os “lanchinhos” nessa época de low fare que quando não é barrinha de cereais ou amendoins, é aquele saquinho com dois biscoitinhos salgados igual aos que os laboratórios de coleta de exames distribuem depois de deixarmos nossa contribuição hemógloba... mas voltando à terra, digo, aos ares, espeto o meu headphone na tomada do braço da poltrona e vou curtindo as músicas disponíveis do sistema de mídia sonora do avião. Hã? Quando não tem disso? Ahá! Puxo o famigerado MP3 com mais de 12 horas de músicas selecionadas e não me aperto.
Por falar em se apertar, perceberam a distância entre as poltronas? Mais um pouquinho de nada se um quiser deitar o encosto, todos terão de fazê-lo também! Imaginem a cena: “Aqui é a chefe de cabine Aeromoça Linda e é chegada a hora do relaxamento em vôo para os passageiros da fileira “c”. Então ao meu comando todos deverão premer o botão que fica no braço esquerdo de seu assento e empurrar com as costas – todos ao mesmo tempo, por favor – até o ponto máximo de inclinação...” patético, né?
E as aeromoças? Ah! meu Deus! Como elas conseguem ser tão, tão? Risos a beça... Olha, público feminino desse blog, antes de me esculhambarem, por favor dêem um pouquinho de atenção ao que ressalto sobre àquelas beldades. Eu acredito piamente no charme que toda mulher tem mas, me expliquem por favor, o feitiço que faz todo marmanjo - em seu juízo perfeito – aproveitar a oportunidade enquanto convivem com suas presenças, viajar na imaginação e se apaixonar por por aquelas moças no tempo que dura a viagem!
Mas continuando com o assunto da vista aérea, quando dá para sentar na poltrona da janelinha, parece que viramos crianças... Outro dia voltando de Ilhéus - e lá a decolagem se dá direto para o mar - quando o avião subindo virou para retornar ao continente, ví a lua! E que lua! Cheia de graça!
Fiquei imaginando o comandante alguns minutos antes, quando fazia decolar aquele avião de frente para aquele luarão, se não passou ao menos por uma fração de segundos em sua cabeça a idéia de quando era garoto ele teria brincado de astronauta – para ir a lua – e, pilotando uma máquina de última geração com 130 passageiros e 8 tripulantes, indo para os céus, de frente para a lua – que sensação!
Eu gosto de voar. Tá bom, você deve estar me achincalhando agora: “Esse aí passa a vida toda a cinco centímetros do chão e quando está lúcido...” Mas gosto mesmo. A primeira vez foi quando a minha família mudou para Recife/PE. Eu tinha cinco anos, embarcamos num vôo da Varig em Congonhas e... sempre que era possível voávamos de cá pra lá e de lá pra cá.
Eram aviões Boeing 727 (com três turbinas na traseira); Uma vez, numa conexão inesperada do Rio de Janeiro para São Paulo, experimentei o novo 737, um aparelho da Vasp.
As principais companhias brasileiras da década de 70 (Cruzeiro, Varig, Transbrasil e Vasp) utilizavam o velho e confiável trijato 727 como principal veículo das suas frotas. Logo, o 737 – muito parecido com os de hoje, só que com motores menos econômicos e bem mais barulhentos – foram tomando o seu lugar.
Eu não voei num 707 ou o 747 jumbo porque eram destinados para linhas internacionais e só cruzei a linha do equador com destino a europa em 2000 (e num Airbus A340). Mas andei nos clássicos turbo-hélices Electra II da ponte aérea, num Embraer Bandeirante, num Airbus A300 velho caindo aos pedaços (mas chegou inteiro comigo dentro), num Bombardier igualzinho o Embraer 190 e no próprio também; num aviãozinho com dois motores a hélices cujo modelo e fabricante não me recordo (Saab); no Embraer Brasília voei recentemente pelos céus da Bahia. E foi indo pra lé que voei no ATR 42 e ví lá de cima a Chapada Diamantina. Tive o privilégio de voar nos Fokker 50 e 100 (quando este ainda era a sensação no tranporte); Todas as vezes que fui para os EUA fui (e voltei) de 767.
A aventura aérea mais maluca foi quando voei num ultraleve em Natal/RN (o mesmo que depois caiu matando o piloto e o passageiro – turista paulista).
Do chão, quando aprecio um avião lá no alto e ganhando altura para seu vôo de cruzeiro, nunca me conformo de não estar lá em cima. Teve um ano, acho que foi em 2004, que batí todos os meus recordes de ir ao aeroporto sem viajar. Encheu o saco levar e buscar o povo com aquela cara de quem voou (e eu não!).
Quando garoto, economizei uns trocados e comprei cinco balões (bexigas) com gás. Levei pra casa e com um cachepô de vime trançado, fiz um “aerostato” (tirei esta do fundo do baú) que voou! É bem verdade que bateu no teto da sala de casa, mas voou. Era o meu dia de Santos Dumont. Fiz muitos quadrados e pipas; Balões nas festas juninas – o meu pai me ensinou a fazer o do tipo “mixirica” e o “caixa”; Aviãozinho de papel então, nem se fala (outra vez conto umas de quando trabalhava num prédio no vale do anhangabaú) e construí dois aeromodelos de madeira wire-control que só não acrescentei os motores porque eram muito caros. Mas fiz voar uns pequeninos propelidos a torção de elástico.
Não sei porque não entrei para a aviação. Certa feita até fui no aeroclube de São Paulo perguntar o que precisava para me tornar um piloto privado. Era muito caro e sem chances a curto prazo (mal ganhava para pagar a faculdade). Para encerrar o post vou contar aqui um sonho que tive quando era garoto:
“De repente, como mágica, saí do chão. Minhas asas batiam forte! Era fácil fazê-las me levantar Então subí, além do que imaginava, e ví o céu que não via lá de baixo... acima das núvens. A lua brilhava, cheia. O vento então se mostrou com uma lufada forte que me fez desviar do caminho; Retomei com coragem o vôo sem me largar a cair. Percebí então que lá em cima que era o céu, também tinha um céu! Lá as estrelas brilhavam mais; Talvez porque estavam mais perto de Deus".

Coisas da Bia - Falando com o cachorro

FALANDO COM O CACHORRO

- Que lindo Bia, conversando com o Beto (o cachorrinho que mora na casa da vovó)?
- Não!... ele num fala...

Ô sonho doido


Data Estelar 16032008 Diário do Capitão - Para continuar na jornada pelo universo, a federação precisou adotar uma regra básica - chamada de diretriz no.1 - para não interferir no progresso de outras espécies. Para tanto, esta diretriz prevê que o primeiro contato com uma nova espécie só deverá acontecer se a cultura tecnológica dessa espécie permitir viajar pelo espaço com a velocidade de dobra. Isto significa que ela já possui condições de receber este contato sem contudo, ser influenciada negativamente pela nova cultura.


Eu vinha pela Castello, abaixo do limite de velocidade quando começou a chover; E foi engrossando a ponto de eu pensar em reduzir a velocidade e, numa quase curva, de repente, senti o volante leve, o carro corria solto e sem direção, então rodei me sentindo impotente e me deu um frio na barriga...

Senti uma brisa leve no rosto. Abri os olhos, e a luz que entrava pela janela era filtrada pela cortina leve de cor branca. Mal sentei na cama e uma moça de branco entrou no quarto e me deu bom dia, respondi por educação pois estava completamente confuso – Onde é que eu estava? Pensei uma bobagem: “agora sim quando ligarem e perguntarem por mim a telefonista pode dizer – Ele não se encontra”.

Entrou, logo após a moça do bom dia, um senhor vestido impecavelmente com um terno, gravata e camisa brancos. Era o Morgan Freeman!

- Good morning, Déniel. How do you do?

Caramba!!! o Morgan Freeman falou (em inglês) comigo, eu entendi – sem legendas! - aliás se eu nunca tinha visto o Morgan Freeman falar sem uma legenda correndo no rodapé da tela, menos ainda de tão pertinho e entendendo tudo!

O papo a seguir foi no melhor inglês que jamais imaginei ser capaz de falar e entender:
- Bom dia Sr. Freeman, me sinto bem apesar de não saber onde estou.
- Bem, em primeiro lugar apesar de você me ver como o Sr. Morgan Freeman, eu não sou ele. Aliás a hora dele ainda não chegou. E você está exatamente aqui.
- Olha, não que eu seja mal educado, mas eu tô um bocado confu...
Ele, olhando para uma ficha que mais parecia um prontuário médico, atravessou a minha frase:
- De fato o senhor até que foi bem educado, o que reconhece o papel rigorosamente cumprido por seus pais, mas é incontestavelmente – por favor – um tanto quanto teimoso, apressado, preguiçoso, presunçoso, intolerante...

Aí, dessa vez, eu interrompi o Morgan Freeman:
- Isso tudo tá escrito nessa ficha aí, é?
- Sim. E tem mais coisas mas não vale a pena continuar porque vamos perder o horário da audiência...
- Audiência?
- No palácio da contabilidade existencial.
- Aonde? Hein? Espera um pouco... O Morgan Freeman, audiência no palácio da contabilidade existencial... tá parecendo um filme! Eu estou num filme! Caramba! Estou contracenando com o Morgan Freeman num filme!
- Ô, seu Freeman, tá esquisito, o que eu vou dizer na hora da audiência? Cadê o meu script?
- Meu rapaz, não tem script algum. Aliás já está tudo registrado, é só falar o que lhe vier no coração quando lhe perguntarem algo.
- Ah! já sei! Este filme é como um reality show! Sem script, só reações! Ok, dou conta, vamos pra lá agora mesmo.

Num segundo já não estava mais onde tinha acordado, entrávamos num salão imenso. E lá no fundo, uma tela gigantesca dividida no meio e encimada por duas barras de madeira formando um grande “T”.
- Olha só Seu Morgan, os caras sacaram direitinho o negócio da contabilidade, fizeram até o famoso “T” (tesão ou T grande, você escolhe) par separar o ativo do passivo...

- É você sacou direitinho, Déniel. É bem isso mesmo.

De repente um estrondo – parecia que colocaram a velha maquina de somar Olivetti de alavanca dentro de uma caixa com um microfone e deram carga na soma com o som no último volume – e o chamado: Déniel Santos, arquivo existencial número 13101965!

- Você, meu rapaz!
- Eu?
- Sim.
- E agora, improviso alguma coisa?
- Faça o que lhe disse sobre o sentimento que vem do coração.
- Tá legal, "xácomigo".

Uma mulher muito bonita, cabelos ruivos, vestindo uma roupa impecavelmente branca, com uma viseira e puxa-mangas igual a dos antigos guarda-livros surgiu bem na frente logo abaixo da grande tela – era a Rita Hayworth ! - e me disse:
- Bem-vindo ao palácio da contabilidade existencial. Esperamos que se saia bem nessa primeira audiência. Abordaremos hoje apenas alguns fatos da sua infância, que de alguma forma aconteceram para testar a construção do seu caráter e como você reagiu a eles.

Eu pensei: “Filme reality show, existencial, o Morgan e a Rita... cara tá parecendo um outro que eu assisti de um rapaz que morre e vai para o céu e lá passa por um balanço das coisas que realizou vs. O que não realizou – um filme que a Merril Strip fez um dos papeis... Já saquei, nesse filme eu morri e, como é um reality show, vai acontecer agora um documentário sobre a minha infância, legal isso!”

O que aconteceu então foi a exibição de um filme muito bem feito. Praticamente real – os artistas eram quase clones das pessoas com quem vivi, meu pai, minha mãe, as minhas irmãs, tios, avós... caramba! esse aqui vai ser cotado para Oscar de melhor figurino e efeitos especiais, pode crer.

Exibiram algumas cenas de quando era recém-nascido, no primeiro dia de aula, no convívio com os amiguinhos na escola, com os meus avós e por aí foi. As cenas foram tão bem reconstruídas que eu fiquei imaginando se não seriam filmagens verdadeiras, mas logo desisti da ideia. Naquela época não tinha filmadora digital portátil. Mas por serem muito realistas, algumas cenas me deram náusea, angústia e um outro sentimento ruim, que sinto vergonha de comentar aqui.

A contadora, digo, a Rita Hayworth, percebeu o meu desconforto e interrompeu a exibição. O placar, ou melhor “o tesão”, mostrou então o resultado apurado até aquele ponto. E posso lhe dizer que como contabilista, o ativo estava bem comprometido pelo passivo corrente.

Pedi desculpas ao Seu Morgan, porque não queria estragar a tomada vomitando ou caindo desmaiado. Sei lá o que me deu, acho que foi a emoção do palco.
- Déniel, fique tranquilo, todos tem a mesma reação que você teve. Aliás isto ajudou muito para melhorar a sua performance. A direção levou em consideração o seu desempenho.
- É? Que esquisito. Ao menos fui espontâneo.

De repente estávamos de volta ao quarto onde havia acordado. Me deu um sono e dormi.

Quando acordei o quarto agora era parte de uma enfermaria com outras camas ao lado da minha. Haviam outras pessoas nessas camas e, gozado, tinham a expressão de quem não sabia onde estava.
Assim que me levantei fui procurando as câmeras tipo "Big-Brother" que deveriam estar em algum lugar – afinal era um reality show.

Quando eu estava em cima de uma cadeira para olhar atrás de um quadro na parede, o Morgan Fremann apareceu de repente atrás de mim e quase caí dela.
- Caramba! Quase morri de susto, Sr. Morgan!
- Meio difícil isto agora, Sr Déniel.
- Hã?
- Nada demais, por hora. Precisamos continuar com a audiência de ontem, vamos?

Num segundo estávamos novamente no salão da Contabilidade Existencial, agora a com seção presidida por outro dirigente, também vestido de contador. Era um senhor de cor baixinho... era o Grande Otelo! E foi logo me alertando: Sr. Daniel Santos, arquivo 13101965, para repassar a época da juventude e maturidade. Por favor, observe com calma as cenas que seguirão sem interromper a exibição. É muito importante encerrarmos esta fase hoje.

Em seguida, a luz diminuiu no ambiente como em um cinema e a fita rolou. Não era como a de antes. As cenas eram mistas ressaltando a lógica dos nexos entre os fatos e as reações. Olha, não gostei nada do que vi. Era tudo verdade mas era diferente do que me pareceu quando aconteceu. Olhei para o Sr. Morgan e ele simplesmente respondeu:
- Tenha paciência, Déniel... nem tudo se resume a única ação.

A exibição mostrou cenas da minha infância que se conectavam com cenas da minha adolescência e da minha maturidade... tudo conectado! Daí eu percebi que mágoas que ainda tinha, de pessoas que nunca mais fiz contato, vendo o fato de novo, do jeito que aconteceu, não tinham mais porque existir.

Mas também não conseguia entender esse sentimento, não me sentia capaz de abrir mão delas, afinal aquilo era uma mágoa! O pior é que a conexão entre as cenas mostrou que as minhas ações foram motivadas pelos sentimentos que conseguia ter naquele momento. Verifiquei que quase em todos os momentos o sentimento que mais se ressaltava era o do medo.

Do mesmo jeito que voltei no dia anterior, me encontrei no quarto em minha cama. Não tinha sono, apenas olhei pela janela e percebi que noite maravilhosa era aquela. Haviam nuvens mas elas não escondiam as estrelas! Compunham o retrato do céu de forma vibrante e intensa. A lua era gigantesca e formosa. Foi então que percebi o que estava acontecendo comigo. Aquilo tudo era um pouco de tudo que havia vivido. Se somos a soma de tudo que já vivemos, então tudo aquilo era eu! Fechei os olhos só para guardar aquela imagem do céu noturno na lembrança.

Pela manhã pude chegar a um jardim em frente da porta do meu quarto. Havia uma brisa gostosa e o sol não incomodava pelo calor apesar de ter a impressão que aquela luminosidade era de um dia ensolarado de verão. Então escutei o Sr. Morgan dizer ao se aproximar:
- Déniel, é chegada a hora de partir.
- Para onde? A impressão é que acabei de chegar e nem sei onde estou!
- Pois bem, o Altíssimo nos permitiu conhecermos os processos de ação e reação que é a vida. Os sentimentos são a conexão entre eles e, a cada um, cabe a oportunidade de fazer o que deve ser feito. Quando isso acontece, é o acontecimento da realidade. Entretanto, quando fugimos através da mentira ou da omissão, nos perdemos e esquecemos quem somos. Guardamos mágoas, fazemos mágoas. Temos medo e passamos insegurança. Somos intolerantes e, com isso, desperdiçamos importantes oportunidades de compreender o próximo e entender como somos iguais.
- Mas...
- Déniel, a vida é repleta de espelhos. Podemos quebrá-los e mesmo assim os cacos nos mostram que somos pedaços!
- Entendi.
Fechei os olhos e senti as minhas lágrimas correrem pelo rosto. Quando os abri já não estava mais lá. Estava em casa, no sofá da sala com a TV ligada – eram três da manhã.

Pessoal, com este texto não quero impingir a ninguém uma nova realidade ou que sou adepto da opinião de que existe vida depois da morte. Sim, sou espírita e acredito no mundo espiritual e que ele representa a nossa verdadeira pátria e morada eterna. O meu objetivo com este texto é dizer que existe vida antes da morte! E que ela é para cada um como uma película virgem que rodamos para fixar nele aquilo que um dia vamos chamar de filme da vida. As vezes o filme começa sem graça e até fica chato, mas pode ficar melhor e chega ao seu ápice e depois que termina nos perguntamos: “puxa, que pena que acabou, adorei esse filme”. Pois bem, a vida é igual nesse sentido. Não devemos confundir o papel do ator principal – o nosso – com a atuação. O ator de um filme atua profissionalmente no filme e pessoalmente em sua vida. No filme que é a nossa vida, devemos atuar pessoalmente, sendo responsáveis por nossos atos e consequências.

Abobrinha gigante


Data Estelar 20042008
Diário do Capitão - O planeta polifemicus está em plena guerra global. Faltam alimentos e água, medicamentos e agasalhos para milhares de refujiados. Estamos a caminho liderando um comboio para tentar amenizar a dor e a fome. Outro grupo de naves segue com a tarefa de intermediar um cessar-fogo e conseguir um armistício. O grande problema com o povo polifemicus é a sua carecterística de falar em excesso e com isso prejudicar o entendimento.

Abobrinhas são comuns em toda horta que se preze. É certeza na sacola da senhora que volta da feira, como um dos acepipes da refeição libanesa – recheadas, na mistura natureba de sanduíches alternativos e agora, também na pizza! Elas não brotam só nas hortas... em qualquer situação onde seria melhor ficar calado (ou sem escrever sic!). Eis a lista das imbatíveis:
- Por que as pessoas se preocupam tanto em aprender a nadar?
Fora os que se exercitam e competem, é quase inútil saber nadar. Sério! Ah, não é não? Então me responda: Quantas vezes você precisou saber nadar para evitar morrer afogado – na vida toda ? (aiêêê)
Quando se nada, não se vai a lugar nenhum. No máximo de um lado a outro do mesmo lugar (piscina, lago, rio... A não ser que seja o homem-peixe - aí fica complicado).
Você deve estar pensando “se o avião cair no mar, vão se salvar aqueles que souberem nadar...” Bobagem! O avião é o mais seguro dos meios de transporte e quando cai é o mais mortífero. As chances de sobreviver são iguais a de você fazer parte do “cast” da série de tv “Lost”. Aliás, só lá pra sobreviver a uma queda de avião, mesmo.
Nunca vi ninguém ir trabalhar nadando (nem nas enchentes de São Paulo); Nunca vi ninguém que viajou dizendo “Saí de Santos, nadei até Ilha Bela e depois estiquei até o Rio... estava molhado mesmo, né?”.
- Por que está perdendo o seu tempo lendo esta abóbora gigante?
Infelizmente sem resposta (por enquanto).
- Por que quando se compra um carro até oferecem um plano de seguro contra roubo, colisão, terceiros, etc... Mas nunca um seguro de vida?
Abrobrinhas brotam por aí. Num estacionamento de shopping, por exemplo, outro dia uma amiga deixou o carro - era um estacionamento gratuito - pegou uma carona e, na volta - era depois das 22 horas - o segurança veio com a pérola “Só pode tirar o carro depois que o acesso fecha se o cliente estava no shopping... agora vai ter de voltar no dia seguinte”.
Eita! Isso é seqüestro de bens. O mau uso do estacionamento pode até dar em uma repreensão ou cobrança de estadia, mas impedir a retirada do veículo é apreensão ilegal de bem (além da intenção clara de intimidação e exposição a situação ridícula).
Esse é um caso típico do “pequeno tirano” que é o maior produtor de abobrinhas que existe. Outra gerada pela intolerância e cretinice são os avisos em letreiros devidamente escritos no mais odioso gerúndio: “Não estamos aceitando cheques” quando você constata que esqueceu o cartão eletrônico e não tem um centavo em dinheiro e o pior – só “estando emitindo” cheques ou “estar devolvendo” o que pegou nas gôndolas.
Uma abobrinha perigosa: Usar o tal duplicador de tomada conhecidos como “t” ou “Benjamin” (em homenagem ao Franklin que foi empinar pipas em plena tempestade de raios só para dar um trato na peruca).
É chocante o resultado! Outro dia deu um curto-circuito que derrubou os disjuntores. A minha mãe colocou um filtro de linha para ligar a TV, o DVD, o vídeo-game e um abajur. Só que antes ela usou uma extensão (com dois plugs) porque o fio do filtro de linha era curto e não chegava na tomada. Então ela conectou a energia em uma das tomadas do filtro e os plugs dos aparelhos nas outras. Como sobrou uma tomada e o fio estava solto (e vivo – pois realtou que tomou um choque) ela plugou ele na tomada restante. Foi sortuda, pois daquela vez coincidiu as polaridades. Um dia, ao limpar o quarto, precisou de uma tomada para ligar o aspirador de pó e usou aquele que “estaria sobrando” (olha o gerúndio de novo). Quando voltou a plugar o fio... tcham! Inverteu o lado!
Abobrinha televisiva. Tem várias. Desde aqueles comerciais de coisas e tranqueiras até os programas de fofocas que não acrescentam nada de conteúdo a ninguém – puro e vazio entretenimento. Olha, uma criança poderia perfeitamente contestar a mãe que assiste aquele besteirol se ela a criticasse porque passava horas na frente da TV jogando vídeo-game. A mãe também passa horas fazendo a mesma coisa!
Abobrinha em eventos: “Felicidades e que este momento se repita muitas e muitas vezes” (Num cartão de felicitação pelo casamento); “Nossa! Pensei que você era mãe dela! Nem parecem irmãs!” e na continuação “...gêmeas? qual a mais velha?”; “Tem coca-light? – sim. Então me traz um guaraná”; “Sim, estamos preparados, se chover de tarde vamos de manhã!”; “Ai, Seu Fulano, que pena a morte da sua mãe. Quantos anos? – 98! Puxa, tão nova...”.
Ah! A resposta do perder tempo lendo esta abóbora gigante... vou “ficar te devendo”... “estarei te pagando” quando “estando escrevendo o próximo post”, ok?

Sangue latino - Ney Matogrosso

Jurei mentiras e sigo sozinho, assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido

Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos,
Meu sangue latino, minha alma cativa

Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencido

Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos,
Meu sangue latino, minha alma cativa.

Coisas da Bia - Na volta da escola

NA VOLTA DA ESCOLA

- Oi filhaaaa! Como foi o seu dia na escolinha?
- (sorriso) Ninguém bateu nimim... Cadê a minha bueca?
... ...

Your Eyes - Simply Red

I wanna look into your eyes again
I wanna look into the windows of your soul...again, again

Who's to know where time will lead us now?
I can't believe this is happening now
I'm not scared,
I'm just wondering how
I wanna see your eyes

All the time we've shared between us now
The feeling I have needs me to make a vow
Now as I leave I must return somehow
Cause I wanna see your eyes

When I look at you I fumble, my confidence takes a tumble
But when I look into your eyes,
I just crumble 'Cos I know that it's you that my heart burns for
That it's you that I'm yearning for

Who's to know where time will lead us now
I can't believe this is happening now
Well I'm not scared, I'm just wondering how
I wanna see your eyes, I wanna make it right

O bote amarelo


Data Estelar 01062008 - Capitan's log - Hoje é um dia especial para a frota estelar. É o dia do pioneiro. Todos os corajosos primeiros viajantes são lembrados nesse dia de festa. O navegantes do século XV e XVI, os astronautas do século XX, os primeiros contatos com novas civilizações de outros sistemas solares enfim, todos os destemidos pioneiros que construíram a imagem da espécie humana como a de seres viajantes e descobridores de novas fronteiras "Indo aonde nenhum foi antes".

Você já sabe bater pernas e como usar os braços... agora vai! O professor me lançou a frente com força e só tive uma opção: chegar no outro lado da piscina. Bati a cabeça na borda mas não doeu, nem liguei, mas nunca subi tão rápido no deck. Foi assim que dei as primeiras braçadas e aprendi a nadar.

Nadar é como voar. O corpo desliza pela água como os pássaros fazem em voo. É a liberdade de se sentir leve e capaz. No começo era só nas aulas de natação no velho Olinda Praia Clube, depois aconteceu o batismo de fogo (ou de água) em Itamaracá quando voltávamos – eu e a Dai de um passeio e precisávamos cruzar um canal que a maré formava quando na enchente – o meu pai estava do outro lado e ficou orgulhoso de nos ver cruzar nadando como peixinhos.

Certa feita eu, o Mucio e o Geraldo – amigos em uma infância rica em aventuras – fomos “navegar” com o bote inflável que eu ganhei do Pe. Geraldo. A praia era a de Casa Caiada porque era a mais próxima. Passamos no posto de gasolina pra dar um grau na pressão das câmeras do bote e descemos até a praia. Estudamos a rota – iríamos direto até o dique frontal, depois seguiríamos até a abertura e cruzaremos para o mar aberto, ou seja, do lado de fora do dique; remaríamos até ficarmos longe o suficiente para que as ondas não nos jogasse contra o dique e seguiríamos até a outra entrada 1.500m adiante. Com o plano devidamente explicado lá fomos.

Da beira até o dique tudo certo. Percebemos que de perto, os diques seguravam (de fato) as ondas. Os respingos levados pelo vento começaram a cair em nós já no último terço da primeira travessia. O barulho da arrebentação também mandou recado. Mas nós, desbravadores e pioneiros (fomos os primeiros malucos a sair com um bote inflável ao mar cruzando os diques – era 1978) não amarelamos, continuamos na remada.

Quando giramos o bote e aproamos a saída (aqui é um blog de navegador, então usamos termos náuticos), percebemos que só dois remos era pouco. Mas enfrentamos as ondas e seguimos... Daí veio uma na diagonal... e foram os três pra fora do bote na capotada!

Nadamos o mais rápido possível e recuperamos os remos, desviramos o bote e pulamos dentro.

Retomamos a remada e seguimos, mas estávamos no meio da arrebentação e próximos demais do dique. Veio outra e das bem grandes... outra capotada e o pior, o bote subiu com o vento, bateu nas pedras do dique e caiu do outro lado! Voltamos os três pra resgatar o bote rezando para que as cracas nas pedras não tivessem cortado o tecido emborrachado.

Verificamos e subimos... Agora sabíamos o que iríamos enfrentar... e remamos na direção da abertura. Saímos e remamos com força para vencer as ondas e ficar longe da arrebentação, um minuto e outra das grandes levantou o bote, mas conseguimos nos segurar. Retomamos a remada e saímos da arrebentação. E aconteceu que ficamos subindo e descendo as marolas que iriam virar ondas. Descansamos e olhamos os diques... Dava medo de ver os morros arrebentando nas pedras. Os borrifos subiam e formavam uma cortina por cima do dique.

Tubarão...

Me deu na cabeça naquele momento. Perguntei pro Mucio se ali dava cação ou tubarão... ele – era o mais velho, tinha quase 18 anos – disse que sim. Mas antes de um aparecer, daria pra sentir cheiro de melancia... (ficamos os três cheirando o ar).

Continuamos o percurso, aqueles "um quilômetro e meio" foi coisa de pelo menos quarenta minutos sem parar. Antes fosse menos. Acostumamos com o mar macio e esquecemos que a reentrada seria com os mesmos perigos da saída, com um agravante: a maré estava enchendo e havia uma correnteza forte que se não tomássemos muito cuidado poderíamos virar com as ondas e sermos jogados nas pedras. E quase aconteceu isso.

As ondas de través (olha outro termo náutico, chic, né?) bateram forte e giraram o barco! A correnteza nos arrastou pra dentro do canal que era rente as pedras de uma das pontas dos diques. Por fim entramos de ré, isto é, de costas porque não conseguíamos aproar. Remamos até a praia e... acabou a aventura.

Sabe, hoje lembrando da façanha, fico me perguntando por onde anda esses meus amigos de aventuras. O Mucio, soube que casou e foi trabalhar com o irmão numa atividade qualquer. O Geraldo, bom de bola e estudioso (coisa incomum de ser encontrada numa mesma pessoa) se formou em processamento de dados e trabalhava no Bandepe. Será que eles se recordam do fato de termos sido os primeiros a contornar os diques de Olinda num bote inflável amarelo?