Data estelar 26062007
Diário do Capitão - Encontramos as naves da federação "Charles Darwin" e "Beagle" que acabaram de voltar de uma expedição de pesquisa antropológica no sistema solar antarius. Fizeram o Primeiro Contato com três civilizações que acreditamos serem da mesma origem que a humana. Identificaram traços comportamentais peculiares ao do povo da terra.
Diário do Capitão - Encontramos as naves da federação "Charles Darwin" e "Beagle" que acabaram de voltar de uma expedição de pesquisa antropológica no sistema solar antarius. Fizeram o Primeiro Contato com três civilizações que acreditamos serem da mesma origem que a humana. Identificaram traços comportamentais peculiares ao do povo da terra.
Estava assistindo "Miami Ink" e me deu vontade de fazer uma tatoo em cima da antiga "lua e estrela" que fiz com 14 anos. Vixe, pelo menos 27 anos que a luazinha e a estrelinha estão no meu braço.
Era uma idéia do Rico fazer uma tatuagem. Os outros garotos faziam porque eram surfistas (a praia de Olinda tinha onda? só tirando uma mesmo) mas nós eramos bicicleteiros, andarilhos, bagunceiros e outras coisas de moleques comuns de quem cresceu com o sol e em cajueiros.
E queriamos uma tatoo. Fiquei imaginando como iria ser a minha. Pensei numa âncora. Blah! âncora do Popeye? Não. Desenhei um tubarão... parecia um bagre... Uma cruz? não, católico demais.
Pitacos pintaram... "que tal uma bunda?"... "hei! faz uma de coração com uma flecha e escreve o nome da namorada"...
Decidí por uma lua crescente e uma estrela de quatro pontas. Simples e só.
Quando cheguei no ponto de encontro (embaixo duma mangueira num dos vários terrenos no quarteirão de casa) o Rico, já estava lá sendo tatuado. Achei meio esquisita: dois morros com um sol poente e uns pássaros voando. Olha, ele não me deu autorização para dizer o que o pessoal falou de sua tatoo depois de pronta, então me limito a dizer que dei muitas gargalhadas com a gozação cruel da turma.
Tatuagem naquela época significava desenhar com esferográfica na pele e depois perfurar pacientemente ponto a ponto todo o delineamento com uma agulha de costura e nankin. A agulha, o futuro tatuado trazia de casa. O tatuador enrolava uma linha que ia do olho até quase a pontinha dela. Amarrava firme e mergulhava no nankin e fazia o seu trabalho. Se doía? ô. Mas sem essa de reclamar. Tinha uns que levavam pomada de xilocaína outros uma garafa de pitú. Ser tatuado era coisa pra macho.
Tatuagem pronta, lá vou pra casa todo contente. Dia seguinte tinha aula e ia mostrar pra cambada da sala de aula a minha proeza. Cheguei, entrei e fui tomar um banho. O braço tava inchadaço e super dolorido. Pensei em pedir um analgésico pra minha mãe mas fiquei quieto, dia seguinte passaria e a glória de ser o primeiro tauado da classe iria compensar.
Já viu que quando temos um machucado, tudo vai lá? Pois é, o que eu tomei de esbarrões naquele dia na escola foi de lascar. Parecia que estava jogando basquete! Sem contar o "fala aí Dan!!!!" com o famoso tapão no ombro bem em cima do inchadão.
É, fiz sucesso. Alguns ficaram impressionados com a minha coragem, outros tiraram sarro da minha lua e estrela - xí, coisa de viado! - Mas fiquei na minha, porque fazer uma ninguém tinha feito até então. Fiz tanto sucesso que foram contar pra minha irmã. Que lógico, quis conferir e... quase contou pro meu pai.
Com aquele calorão e eu de camisa pra tudo. Deixei de pular na piscina de casa por uns 3 meses. Daí um dia, a turma tava toda lá e sismaram de me empurrar pra água... Fiquei abaixado até o pescoço um tempão (enquanto o meu pai por alí saracuteava) e quando pensei que ele tinha ido ver alguma coisa na sala, saí rapidinho e já ia jogar a toalha salvadora nos ombros quando ouví a pergunta: "que diacho é isso no seu ombro, rapaz?"
Me enxuguei e dei uma de mané... "'é um desenho, pai..."
"A caneta, né?"
"foi..."
Bem, resumindo ele mandou eu tirar "aquilo"do braço. Filho dele não era tatuado... que absurdo!
Com aquele calorão e eu de camisa pra tudo. Deixei de pular na piscina de casa por uns 3 meses. Daí um dia, a turma tava toda lá e sismaram de me empurrar pra água... Fiquei abaixado até o pescoço um tempão (enquanto o meu pai por alí saracuteava) e quando pensei que ele tinha ido ver alguma coisa na sala, saí rapidinho e já ia jogar a toalha salvadora nos ombros quando ouví a pergunta: "que diacho é isso no seu ombro, rapaz?"
Me enxuguei e dei uma de mané... "'é um desenho, pai..."
"A caneta, né?"
"foi..."
Bem, resumindo ele mandou eu tirar "aquilo"do braço. Filho dele não era tatuado... que absurdo!
Fiquei longe da piscina e dele por mais uns tempos, ele ia esquecer e assim ia dar tudo certo. Mas não foi bem assim. Era época de boletim. E o meu não ia nada bem. Daí boletim vermelho e tatuagem no braço foi a gota dágua pro velho pegar no meu pé por mais tempo que eu estava preparado. Fui recuperar as notas e aos poucos ele deixou pra lá. Igual aconteceu na escola, vieram as férias. Quando voltei no semestre seguinte já não era nenhuma celebridade, aliás lembraram que uns pioneiros já haviam inaugurado a idéia de tatoos e, assim eu não era tão inovador quanto pensava que era. Ok, mas duvido que tinham uma lua e estrela igual a minha.
Fui remar no Barroso. A camisa padrão da equipe era do tipo "regata"(óbvio) então dava aquela "malhada" pra deixar os deutóides redondões e ia desfilar a luazinha todo orgulhoso. Mas nenhuma beldade se dignificava a ir ver as regatas no Capibaribe. Nem a pau! os poucos curiosos que assistiam as nossas corridas eram uns transeuntes que quando não ralhavam com a gente por que virávamos o esquife, ficavam brincando de tiro ao alvo com cusparadas de cima das pontes.
E o tempo foi passando, a lua e a estrela distorceram um pouco (preciso voltar a malhar mais pra ver se t
em jeito).Quando tomo sol, me lembro daquela tarde quente de fevereiro... embaixo da magueira... o dia que a minha tatoo nasceu.Não sei se faço outra maior por cima ou não. Pensei mesmo em reformá-la. Criar um céu noturno em volta... ressaltar os traços e até incluir umas núvens... sei lá. Mas vou pensar em algo adequado - romantico e sonhador - a minha marca registrada.
Data Estelar 16072007
"Diário do Capitão - Na visita do capitão da nave Charles Darwin, fui presenteado com uma belíssima coleção de hologramas obtidos na pesquisa dos povos visitados pela equipe. Num deles, pode-se observar uma peça de pele de animal que conta a história de uma comunidade. Percebe-se que ela foi "tatuada" antes do abate e conservação do volume".
Bem, continuei assistindo a TV enquanto não decidia o que fazer com a lua e a estrela e dei de cara com uma reportagem sobre dermatologia... tchan, tchan, tchan... era sobre tatoos!!!!
Não era sobre fazer tatoos, e sim como "tirar" elas da pele.
Calma, não estou afirmando que vou tirar as minhas companheiras de jornada de mais de 20 anos. Apenas vou contar mais ou menos o que o programa disse.
Bem, primeiro eles disseram que é possível remover as tatuagens através de sessões de aplicação de laser, que é uma luz muito quente e que pode ser manipulada quanto a área alvo e tempo de exposição;
Depois, que as tatuagens antigas - do tipo que eu fiz - meio azuladas são mais fáceis de apagar. Enquanto que as mais novas feitas com maquina e tintas especiais são mais complicadas.
Para excluir a tal luazinha e a estrelinha, umas cinco sessões a 150 mangos cada resolvem... as de maquininha, 450 e no mínimo 10 sessões (meu! já pensou no caso daquela moça que tatuou nas partes íntimas o nome do amado????) vai doer no bolso e na... pele.
Daí teve o momento Al Qaeda (terrorismo), com o pessoal dizendo que pode ficar marcas na pele, que dói pra caramba, que é melhor pensar bem antes de se tatuar...
Uma leitora do blog (é moçada, depois de mais de 3.000 acessos já temos leitores assíduos - muito obrigado) sugeriu fazer uma enquete para escolher o que fazer com a tatoo. Seria um post com a foto da tatoo como está hoje, e a pergunta "o que fazer com essa tatoo?" com quatro alternativas: a) exclui; b) mantém como está; c) acrescenta mais elementos reforçando a imagem; e d) cobre tudo com outra diferente. Os leitores iriam "opinar" através dos comentários.
Sei não. Olha, pensei um pouco sobre o assunto e fiquei achando um tanto quanto "bunda na janela" demais.
E como diz aquela música do Lenine, "quer se comprometer, prometa" (Do it) se eu entrar na parada vou ter que tocar na banda.
Mas juro que não fiz nada ainda com a tatuagem do braço. Elas estão lá na noite as vezes brilhando, outras apenas exisitndo.


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