Data Estelar 24092007
Diário do Capitão - Recebemos do comando da frota a nossa nova missão. Será um longo caminho e há a previsão de conhecermos novos mundos e novas tecnologias. Todas as vezes que me preparo para embarcar em uma nova aventura faço uma reflexão a respeito das minhas convicções e de como são corretas as diretrizes que regem a humanidade. Se antes agíamos como bárbaros a cada descobrimento, hoje agimos com cuidado para não interferir na evolução natural dos habitantes dos planetas. Enfim, penso que assim é possível dar sentido ao que fazemos em nosso trabalho de ir onde nenhum homem foi.
Adoro passar roupas. Verdade! passo com as duas mãos, observo os vincos produzidos pela costura, ajuste de colarinhos, o sentido da textura do tecido... que me faz pensar no sentido da vida. A vida que também precisa de alguma técnica para ser passada. As tramas dos fios muito se assemelham com o encontros e desencontros que temos com as outras pessoas, a rigidez de um colarinho que nos lembra que há momentos que devemos ser formais diante de um evento, o perfume gostoso do amaciante que dá vontade de vestir a roupa logo depois de passá-la - como num bom papo de fim de uma tarde quente tomando uma limonada saborosa, gelada e doce; o botão que precisa ser costurado no lugar daquele que se desprendeu - como as coisas e relacionamentos que começam, duram e acabam.
Passar roupa tem ainda mais a ver com viver, pois é preciso paciência e perseverança. Aquele vinco feito de qualquer jeito ou o que se forma na pressa, aparecerá ao vivo e em cores bem na frente de todo mundo quando estiver vestindo a roupa naquele evento super importante - alguma semelhança com "ser imprevidente" que todos nós de alguma forma somos?. Para passar roupas com perfeição é necessário umas 2.000 horas de ferro quente. Enfrentar sêda, algodão, linho (passar camisas de linho ninguém merece), polyester, nylon e outros sintéticos e naturais não é para qualquer um. Então, se não passa as próprias roupas olhe com mais carinho para quem faz isso por você.
Passar roupa começa logo depois de tirará-las úmidas da máquina - tanque - bacia - balde. Uma camisa social, por exemplo, se for colocada para secar pendurada em um cabide e na sombra, será mais fácil de passar do que se for pendurada direto num varal ao sol. Lógico que o sol esturrica... e tem aquela chuva repentina que deixa a roupa com um cheiro ruim. Olha só: na vida também não tem coisas que duram mais de acordo com o carinho que empreendemos?
Está bem, "tintureiro" é uma profissão bem mais abrangente que "passadeiro de roupas" mas é que aqui em São Paulo as pessoas vincularam mais a imagem da tinturaria a quem entregava o ternos limpos e passados do que a das lavanderias (ambos têm o profissional que passa roupas). Daí aquela lembrança do barulho da lambreta na calçada e o chamado: "tintureiroooooô"!
Aprendí algo novo na terapia; Diz respeito do que Irvin D. Yalon pensa a respeito do que a humanidade faz a respeito da sua existência. Para ele, as pessoas possuem quatro condenações: o homem é condenado a ser livre (livre arbítrio - e único responsável pelo que lhe acontece), a morte (um dia todo mundo morre), a ser só (por mais ligado que seja a outra pessoa, nunca ele é a outra ou vice-e-versa) e a dar sentido a sua vida.
É sobre dar sentido a vida que quero me referir sobre passar a roupa. É como consertar, arrumar, conduzir a vida como ela deve ser que parece estarmos passando ela - e por ela também. Se Yalon tem razão não sei. Mas concordo que a vida precisa ter sentido. Espero que esteja "passando" a minha com a temperatura do ferro e no sentido certo.
Diário do Capitão - Recebemos do comando da frota a nossa nova missão. Será um longo caminho e há a previsão de conhecermos novos mundos e novas tecnologias. Todas as vezes que me preparo para embarcar em uma nova aventura faço uma reflexão a respeito das minhas convicções e de como são corretas as diretrizes que regem a humanidade. Se antes agíamos como bárbaros a cada descobrimento, hoje agimos com cuidado para não interferir na evolução natural dos habitantes dos planetas. Enfim, penso que assim é possível dar sentido ao que fazemos em nosso trabalho de ir onde nenhum homem foi.
Adoro passar roupas. Verdade! passo com as duas mãos, observo os vincos produzidos pela costura, ajuste de colarinhos, o sentido da textura do tecido... que me faz pensar no sentido da vida. A vida que também precisa de alguma técnica para ser passada. As tramas dos fios muito se assemelham com o encontros e desencontros que temos com as outras pessoas, a rigidez de um colarinho que nos lembra que há momentos que devemos ser formais diante de um evento, o perfume gostoso do amaciante que dá vontade de vestir a roupa logo depois de passá-la - como num bom papo de fim de uma tarde quente tomando uma limonada saborosa, gelada e doce; o botão que precisa ser costurado no lugar daquele que se desprendeu - como as coisas e relacionamentos que começam, duram e acabam.
Passar roupa tem ainda mais a ver com viver, pois é preciso paciência e perseverança. Aquele vinco feito de qualquer jeito ou o que se forma na pressa, aparecerá ao vivo e em cores bem na frente de todo mundo quando estiver vestindo a roupa naquele evento super importante - alguma semelhança com "ser imprevidente" que todos nós de alguma forma somos?. Para passar roupas com perfeição é necessário umas 2.000 horas de ferro quente. Enfrentar sêda, algodão, linho (passar camisas de linho ninguém merece), polyester, nylon e outros sintéticos e naturais não é para qualquer um. Então, se não passa as próprias roupas olhe com mais carinho para quem faz isso por você.
Passar roupa começa logo depois de tirará-las úmidas da máquina - tanque - bacia - balde. Uma camisa social, por exemplo, se for colocada para secar pendurada em um cabide e na sombra, será mais fácil de passar do que se for pendurada direto num varal ao sol. Lógico que o sol esturrica... e tem aquela chuva repentina que deixa a roupa com um cheiro ruim. Olha só: na vida também não tem coisas que duram mais de acordo com o carinho que empreendemos?
Está bem, "tintureiro" é uma profissão bem mais abrangente que "passadeiro de roupas" mas é que aqui em São Paulo as pessoas vincularam mais a imagem da tinturaria a quem entregava o ternos limpos e passados do que a das lavanderias (ambos têm o profissional que passa roupas). Daí aquela lembrança do barulho da lambreta na calçada e o chamado: "tintureiroooooô"!
Aprendí algo novo na terapia; Diz respeito do que Irvin D. Yalon pensa a respeito do que a humanidade faz a respeito da sua existência. Para ele, as pessoas possuem quatro condenações: o homem é condenado a ser livre (livre arbítrio - e único responsável pelo que lhe acontece), a morte (um dia todo mundo morre), a ser só (por mais ligado que seja a outra pessoa, nunca ele é a outra ou vice-e-versa) e a dar sentido a sua vida.
É sobre dar sentido a vida que quero me referir sobre passar a roupa. É como consertar, arrumar, conduzir a vida como ela deve ser que parece estarmos passando ela - e por ela também. Se Yalon tem razão não sei. Mas concordo que a vida precisa ter sentido. Espero que esteja "passando" a minha com a temperatura do ferro e no sentido certo.


Um comentário:
Bom, acabei vindo dar uma olhada no blog e me surpreendeu a maneira com que você olha para o ato de passar roupas!
É uma atividade que eu não gosto, prefiro lavá-las, ou fazer qualquer outra atividade que envolva mexer com água.
Mas percebi que me lembrarei do texto quando tiver que passar a minha próxima camisa, embora continue não gostando da atividade...
bjo
KittyKat
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