Data Estelar 06112007
Diário do Capitão - Para ser um capitão da frota estelar, é preciso muita determinação e força. Passamos por inúmeros testes que nos levam a mostrar o quanto somos capazes de lidar com situações difíceis. Resumindo, assim mostramos que realmente sabemos o que queremos.
O dia é curto, a noite é longa; Porque trabalhamos tanto para conseguir algo que nem queremos? Constatação que me fez refletir.
Diário do Capitão - Para ser um capitão da frota estelar, é preciso muita determinação e força. Passamos por inúmeros testes que nos levam a mostrar o quanto somos capazes de lidar com situações difíceis. Resumindo, assim mostramos que realmente sabemos o que queremos.
O dia é curto, a noite é longa; Porque trabalhamos tanto para conseguir algo que nem queremos? Constatação que me fez refletir.
Estava assistindo um bom filme na tv. Nele, rolava um show de rádio (com auditório e tudo) na cidade de St. Paul (Minessota – EUA), um desses filmes que me faz pensar ao mesmo tempo que assisto... que foi? Acho que consigo fazer ao menos duas coisas ao mesmo tempo, ok?! (apesar de que uma delas não vai dar certo) ...foi quando uma senhora convidada começou a cantar uma música com a frase acima.
Diacho! Outro dia vi na rua um belo automóvel. Um Chevrolet Astra de cor vermelho bordeux quase preto. “Um dia terei um assim...” Ah! Vou leva-lo semanalmente para ser lavado, polido e cristalizado e, se ainda existir aquela missa campal que todos vão com carro e tudo para o padre abençoar, vou lá também. Vou instalar um sistema de alarme com localizador GPS e um som da hora que toca de tudo – inclusive DVD - rack especial com calhas para levar a minha bike, ar condicionado para os dias quentes e geladeira de líquidos.
Também um belo jogo de rodas com pneus especiais e sensor auxiliar para manobras nos pára-choques. O meu celular vai ficar conectado por wireless ao sistema de modo a poder conversar sem ser notado pelos guardas de trânsito. Ah! vou precisar investir mais no sistema automatizado dos portões da garagem – penso que precisarei contratar um segurança, pois as rodas especiais vão chamar a atenção e nem poderei deixar o carro na rua - outro dia vi um carro novinho sem as quatro rodas em cima de uns tijolos, coitado!
Mas os sensores, que custarão cerca de US$ 1.500 a mais, vão evitar que esbarre em algo e estrague a pintura dos pára-choques (gozado, com mais de vinte anos de carta, raríssimas vezes esfolei um pára-choque). Ah, a geladeira! Magnífico equipamento que nem imagino onde possa ser instalado, durante as viagens poderá fornecer aquele refri geladinho que o carona ou outro felizardo irá beber, pois como posso segurar uma latinha de guaraná e ao mesmo tempo manter o carro na estrada? Pena que seria apenas uma lata por vez... mas tudo bem, isso estimulará a compreensão e o sentimento de grupo ao compartilharmos a única latinha gelada com os demais e, além do refri, herpes e ... deixa pra lá!
E, por falar em troca de resíduos infectantes, o fantástico ar condicionado, que depois de algum tempo vai dar o “ar da graça” aroma banana-chulé distribuindo ácaros e fuligem. Mas o rack especial não vai falhar. Vou encomendar de fábrica, pagando o valor de dez vezes o da bike que ele vai levar (afinal a última moda é levar a bike para passear no supermercado, no shopping, no centro da cidade, no aeroporto...). O som vai tocar MP3, MP4, CD original e pirata, DVD com telão retrátil e com um amplificador e bazuca vai bombar até cair os vidros do carro! (mal posso esperar para tocar a minha seleção funk na frente de um condomínio residencial depois das 23h).
E, para proteger esse patrimônio, o sistema de alarme que vai dar pau justamente na subida da serra em dia de retorno de feriadão – olha só a cena: logo depois de passar uma placa “não buzine no túnel” e na frente de uma viatura da Polícia Rodoviária, o alarme dispara do nada e bííí – biíí – bííí...
Falar no celular incógnito é o que há! Sem multas nem pontos indesejáveis no prontuário dá pra falar a vontade e fazer até piada... apesar da conta vir com proporções de monstros de filme japonês.
Mas quem pode, pode né? Vou pagar com aquela cara de burguês o financiamento, IPVA, seguro obrigatório, taxa de licenciamento, mensalidade do rastreador, pedágio e estacionamento, seguro e vacina antifurto, manutenção com troca de óleo e peças, mão-de-obra do mecânico, borracheiro, alinhador e, por fim, os flanelinhas que se acham donos do espaço público.
Outra constatação... aquela do Mc Donalds: Amo muito isso tudo!


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