"Diário do Capitão - Nosso sistema de rastreamento identificou sinais de comunicação de um objeto ao largo do sistema solar Antares. Seguimos para interceptá-lo e nos deparamos com um equipamento similar as sondas lançadas pela terra no final do século XX. A semelhança não estava só no formato e tecnologia. O sinal emitido era na verdade música. Isto mesmo, música - estilo rock'n roll. Pensamos se tratar mesmo de uma sonda terrestre mas descobrimos se tratar de uma civilização de um planeta exterminado por uma colisão com um mega asteróride. Posicionando em nossa linha do tempo, o acidente ocorreu quando na terra os dinossauros ainda viviam".
"Tio eu faço parte de uma banda!
Ah tá Carol, eu também ensaiava na banda marcial do colégio nessa época para o desfile de sete de setembro...
Não tio, eu faço parte de uma banda de hard core..."
Pois é, a Carol é roqueira. Com 13 anos e as amigas começaram uma banda de hard core (rock com letras pesadas - foi o que ela me disse). Caramba, fiquei todo orgulhoso. Aos 13 eu descobrí que rock era bom. Era época de discoteca, é verdade. Mas o Evaldo me deu uns toques a respeito do que era rock. E numa tarde fui na única loja de discos que tinha a proposta de vender discos que não fossem "enlatados" e adquiri o meu exemplar do álbum do Led Zeppellin (aquele que na capa tinha umas crianças loirinhas subindo numas pedras).
1978 era um tempo engraçado. Tinha um misto de disco e pop que fazia a alegria da moçada que queria dançar. Rock era coisa de cabeludo e barateado... Olha podia até ser, mas eu não estava muito preocupado com o que eles fumavam ou se picavam, mas sim com o som mágico que saia das caixas de som. Aliás não era mais a "eletrola philips" (vitrola) ou o "três em um national" que tinha um pino que dava para colocar até cinco discos de uma vez e eles iam caindo no prato quando o debaixo acabava. Era "sistema de som" com reciver (que fazia as vezes de amplificador e distribuidor e turner), o toca-fitas k7 duplo e o famoso toca-discos com agulha garrard.
E eu colocava o som no máximo e viajava na música. Ok, era um mundo que teve seu auge em 1971, mas a reverberação (outro aparato legal pra falar no microfone, o reverberador) continuava e nós, reles adolescentes não tínhamos uma lista de ídolos lá muito grande.
Deep Purple, Pink Floyd, The Who... Jimmy Hendrix, The Doors e Jim Morrison... Os álbuns eram caros e raros. Então a moçada se acostumava com trilhas sonoras de novelas e quando tinha um bailinho de garagem, não faltavam os carinhas de camisa social branca, calça preta e sapato de bico fino - garrafas de coca-cola e rum - as meninas adoravam o visual. Daí rolava Bee Gees, Donna Summer, Earth, wind and fire, etc. - era discoteca de garagem. Os discos de novela? Serviam para o momento do "pega", isto é, músicas lentas - rostos colados por horas e beijos depois. Para quem não sabe, os bailinhos de garagem possibilitaram o comportamento juvenil que hoje chamam de "ficar".
Outro dia peguei um DVD de um filme nacional "muito lôco" chamado "Durval Discos". Pois não é que eu entendí direitinho o ideal do rapaz? Confesso que as vezes me dá saudades do chiadinho da agulha nos LPs. Agora o álbum é um quadradinho que tem um livreto com letrinhas miudinhas e misturadas com as cores e imagens. Já tentou ler as letras das músicas do CD? Pior, ler a biografia do grupo ou banda? Se ainda fossem albuns (mesmo que com cds) seria muito legal ter aqueles exemplares - olha só, daria para encartar um pôster!
Um pouco mais do jurasic rock? Eagles, Rolling Stones, America... Ah, surgiram nessa época as bandas de rock progressivo como o Yes e o Alan Parsons Project.
Parabéns Carol!


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