domingo, 24 de agosto de 2008

Feliz aniversário, feliz ano novo

Data Estelar 13102007
Diário do Capitão - Hoje é o meu aniversário, então preferí escrever um pouco sobre mim, talvez para dar um contorno mais humano às histórias que conto por aqui. Bem, só vamos saber se tentarmos, né?

Hoje completo 42 anos de idade. Claro que é motivo para comemoração! E também um bom motivo de reflexão. Sabe, no ano passado – o ano que eu quis esquecer – o 13 de outubro escolhi como meu reveillon. Então, feliz ano novo! Já escrevi um pouco nesse blog sobre a minha vida. Coisas e fatos da minha infância e adolescência – até sobre coisas vividas na minha maturidade. Ainda tenho muito para escrever e escreverei, podes crer.
Nasci em São Paulo numa tarde fria de quinta-feira na Maternidade Santa Marcelina no bairro de Itaquera. Meu pai João Francisco e a minha mãe Amélia construíram uma família de três filhos: eu, a Daielma e a Daleine. Moramos em São Paulo até agosto de 1971, ano que o meu pai foi transferido para Recife-Pe; Lá ficamos por 16 anos. Sabe o meu amigo Júlio? (ver “O Amigo do Peito”), ele brincava dizendo que enquanto não completasse 17 anos em São Paulo – contados depois do meu retorno – eu não poderia ser considerado um paulistano. Pois é, nesse ano fez 20 que voltei a morar por aqui. Minha infância antes e depois de ir morar no nordeste foi rica em vivência; lógico que um paulistinha que falava “porta” com o erre bem acentuado era motivo de boas gozações na sala de aula e nas brincadeiras no condomínio mas eles também têm seu calcanhar de Aquiles – onde já se viu falar “banana” como se fosse “bânana”?
Até aos nove anos eu não sabia nadar... antes, com sete, aconteceu a cirurgia para retirada das amigdalas; com dezesseis fui trabalhar e com vinte e dois perdi o meu pai. Joguei muita bola na rua, aprendi a jogar peão, bolinha de gude e dar estilingadas certeiras. Fui moleque descalço e com o bronze de quem viveu sob o sol de lá. A minha adolescência foi como a de qualquer rapazola dos anos oitenta. Estudar? Não era comigo, desculpe.
Adorava desenhar. Se na minha casa havia a presença das artes – minha mãe na música e minhas irmãs na dança – Comigo era desenhar. Como não toco nenhum instrumento e dançar... bem, só depois de umas cervas bem geladas danço alguma coisa (ou coisa nenhuma), risos a beça. Sou torcedor do São Paulo FC; Herdei isso do meu pai. Íamos aos estádios e sempre assistíamos algum jogo pela tv. Depois que ele se foi ficou difícil achar alguém como companheirão no futebol.
Fiz o técnico de contabilidade ainda no Recife. Depois estudei Administração / Com. Exterior na Metodista de São Bernardo. Trabalhei com o meu pai no escritório contábil dele, na administração da academia da minha mãe, em uma pequena fábrica e na maior corporação de empresas do Brasil e em importações de automóveis... hoje tenho um escritório e gosto de dar aulas. Leio um livro por mês – é pouco eu sei, mas é o que o meu orçamento e tempo permitem por enquanto.
A trilha sonora da minha vida transita entre o rock de The Who ao samba raiz pela voz maravilhosa da Clara Nunes. Prefiro a telona, mesmo que seja o circuitão do que a telinha da tv. Fui casado por oito anos; Tenho uma filha de dois que é o meu xodó. Saio uma vez por semana. Vou a lugares que tem a ver com o que sinto e sonho; Rock-bar, pubs e barzinhos de chopp sempre foram as minhas escolhas mas também um bom passeio pela Paulista alternativa, uma boa peça de teatro ou só ficar olhando o skyline de sampa já me faz um bem danado.
Faço terapia à sete anos, não porque sou encucado demais mas porque quero ser caçador de mim. Já fui acolhido e alijado; sorri feliz e já morei um tempo no fundo com depressão; Fui capaz de coisas indizíveis e também de me enxergar e corrigir os meus erros. Quero fazer o bem... de uma forma simples, assim como um copo dágua.
Apesar de acreditar que o espírito é eterno, tenho a consciência que o tempo passa e a cada dia é uma nova oportunidade para fazer o que deve ser feito e, assim ser digno da felicidade. O tempo, o reino de Chronos, é a medida de uma existência. O que fazemos com ele e apesar dele é a diferença que vale a pena de todo sofrimento. Isso porque se algum momento fomos capazes de amar, seremos capazes sempre.
Tenho uma dívida imensa com uma pessoa maravilhosa. Ela me acompanha 24h e nunca deixou de me amparar – o meu anjo da guarda – “Cara, obrigado de coração por me aturar nesses quarenta e dois anos”.
Não sei quanto me resta pela frente. Sei que não foi à toa que vivi cada um desses dias, então posso presumir que agora cheguei na metade do caminho. Guardo tudo que me serve para continuar na jornada; procuro me livrar do que não me serve, o que me dá a sensação de viver como aquela música do Alan Parsons (também tem um post dela ) - Nothing left to loose.
A vocês que aturam esse blog, o meu beijo e abraço agradecido. Cada vez que passam por aqui – mesmo sem deixar nenhum comentário – na certa vibram com os textos e assim me fazem muito bem. Até o próximo post, ok?

"...feliz aniversário, envelheço na cidade; feliz aniversário, envelheço na cidade..." (Envelheço na Cidade - Ira)

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