Data Estelar 13122007
Diário do Capitão - Suplemento - Aumentamos nossa velocidade para dobra 8! Vamos direto a beta 15. Ao somarmos nossa velocidade com a da estrela, viajaremos no tempo ao futuro.
O que Daniel e Cassandra tem em comum? O dom da profecia. A principal diferença é que as da moça da mitologia grega eram sobre tragédias. Apesar de ter o nome do profeta bíblico, não me acho nem um pouco vidente do futuro. Mas hoje vou fazer aqui um desabafo.
Fim da CPMF. O Senado mandou a CPMF para o passado, agora o governo vai ter de rever o orçamento, apertar daqui e dali, tirar água da pedra, suar sangue para cumprir suas metas orçamentárias e não errar perante a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Acabou a farra de 40 bi por ano!
Diário do Capitão - Suplemento - Aumentamos nossa velocidade para dobra 8! Vamos direto a beta 15. Ao somarmos nossa velocidade com a da estrela, viajaremos no tempo ao futuro.
O que Daniel e Cassandra tem em comum? O dom da profecia. A principal diferença é que as da moça da mitologia grega eram sobre tragédias. Apesar de ter o nome do profeta bíblico, não me acho nem um pouco vidente do futuro. Mas hoje vou fazer aqui um desabafo.
Fim da CPMF. O Senado mandou a CPMF para o passado, agora o governo vai ter de rever o orçamento, apertar daqui e dali, tirar água da pedra, suar sangue para cumprir suas metas orçamentárias e não errar perante a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Acabou a farra de 40 bi por ano!
Bem, peço desculpas a todos que acharam isso ótimo – respeito de verdade a opinião alheia – mas como disse o Almirante Tojo após o ataque a Pearl Harbour em dezembro de 1941 “Receio que com o que fizemos, apenas tenhamos despertado um gigante”. Pois bem, quero estar errado na mesma medida que o Sr. Tojo estava certo, mas vão aqui algumas vaticinações: É lógico que o governo vai abrir negociações para conseguir algum recurso extra. Mas na calada da noite, assim, lá pelas 10 do dia 28 de dezembro, editará algum instrumento (MP, IN, qualquer coisa) que virá para “compensar” as perdas da CPMF – qual o alvo? As empresas tributadas de forma presumida. Como? Aumentando as contribuições sociais (CSSL e Cofins) e excluindo do Simples Nacional – por qualquer motivo – o máximo de MEs e EPPs possível (excluídas, se tornam automaticamente empresas de lucro presumido) ; Quer mais? O nhém-nhém-nhém vai continuar! Nas primeiras semanas de fevereiro de 2008 aquelas propagandas terroristas sobre o imposto de renda vão vir com tudo! As pessoas vão estar apavoradas por lançar em suas declarações aqueles recibos de despesas com saúde - verdadeiros e legítimos mas estigmatizados pelo fisco como sendo sonegação.
A malha fina de 2008 irá pescar no mar de incautos cerca de 1,2 milhão de contribuintes sob a justificativa que com dados da CPMF do ano de 2007, foi possível detectar omissões de rendimentos tributáveis! Os números deste ano foram de aproximadamente 430 mil. E vão cobrar de quem pagou e de quem não pagou. Machado de Assis dizia que há dois "Brasis", o real e o oficial. Concordo, por que há duas economias: a oficial cuja carga tributária é gigantesca e a real, com a sonegação também gigantesca. Como todo mundo defende o seu como sendo de sobrevivência, ninguém vai contra a toda poderosa Receita Federal quando recebe aquela cartinha dizendo que foram apuradas pendências tributárias de cinco anos atrás e que, com os acréscimos moratórios e juros (somados são maiores que o valor original), devem ser quitados sob pena de serem incluídos na dívida ativa da união e negativados no – pasmem - Serasa! Gente, se hoje a carga sobre o PIB (a tal economia oficial) é de 38%, o que será que vai acontecer se ela passar dos 40, 45 ou 50%? Revolução? Guerra civil? Não. O que vai acontecer é que tudo vai continuar. Poucas empresas vão fechar suas portas, os investimentos continuarão. Mas o governo vai ter de reconhecer que existe sim uma economia paralela e que nesses anos todos jogou todo o seu peso nas costas de quem faz as coisas do jeito certo, isto é, não tem pra onde correr, é descontado na fonte. E vai ter de reconhecer também que o sistema alimentado com as informações da CPMF só pegou pé-de-chinelo que não tem nem como pagar os financiamentos e cartões de crédito que se enfiaram (ricos não contraem dívidas – pagam a vista e com desconto especial).
Ah! Correção da tabela do imposto de renda? nem a pau!
Durante o ano vai faltar dinheiro para todos os projetos sociais do governo, com exceção do Bolsa Família, pois 2008 é ano de eleições municipais e como esse projeto é micro-pontual, só depois das eleições garantindo o máximo de prefeituras e vereadores é que será diminuído sob a argumentação de que sem a CPMF não há recursos – detalhe: aquela compensação dos tributos das empresas vão estar vigindo e, se houver perdas, serão mínimas.
Exercer a política é usar a ferramenta do cinismo e hipocrisia ao extremo. Quando se está na oposição joga-se pedras na vidraça da situação; Quando se está no outro lado, manda-se o povo pagar a conta do vidraceiro. Detalhe: só se fala em racionalização dos gastos. Fazer que é bom, nada. Porque será que só existe a “Receita Federal” e não a “Despesa Federal”?
Na saúde – área para a qual foi criada a contribuição – vai faltar recurso. Filas de doentes nos hospitais vão proliferar na mesma velocidade de uma cultura de bactérias em ambiente natural. A falta de equipamentos e não reposição dos que estão quebrados vai levar os hospitais de volta a idade média.
Isso tudo porque não tem mais a CPMF. E quando tinha, como era a saúde?
Isso tudo porque não tem mais a CPMF. E quando tinha, como era a saúde?
O Sr. Presidente disse: “se querem prejudicar, prejudiquem a mim e não ao povo!” Nobre este gesto. Falta agora ele ser solidário com esse povo e utilizar os mesmos serviços de saúde disponíveis que depois de tantos anos de CPMF são de primeira qualidade.
Já ouvi gente decente dizendo que o nosso país é uma terra de gente desesperançada. Concordo. Mas acho que somos também ingênuos do tipo mais perigoso, o que se acha esperto. Pensar que nada vai mudar e que temos de lidar com o agora olhando para o passado é o que nos faz sem esperanças. E o pior, abrimos espaço para os oportunistas movidos pela ganância e inconseqüência que criam leviatãs. Quero muito estar enganado e não fazer um papel como o de Cassandra.


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