Data Estelar 19042007
"Diário do Capitão - A Columbia e a Atlantis vieram nos encontrar nesse quadrante para efetuarmos algumas manobras de treinamento de batalha. Elas são mais do que idênticas a nossa nave, são irmãs de metal..."
"Diário do Capitão - A Columbia e a Atlantis vieram nos encontrar nesse quadrante para efetuarmos algumas manobras de treinamento de batalha. Elas são mais do que idênticas a nossa nave, são irmãs de metal..."
Um trio de forró é composto de zabumba, triângulo e sanfona. É o minimo e cada um dos três depende do outro para tocar. Se um atravessar, já era o xote. Talvez de tanto tocar nas festas juninas, porque nunca soube se um grupo desse pudesse parar com seus afazeres diários de sobrevivência para ensaiar, só de olhar o outro já sabe o que vai acontecer ou o que precisa fazer para manter a harmonia.
Eu e minhas irmãs somos como um trio de forró. Só não sei quem toca o quê, mas a conexão é patente. Quando a Dal ainda era um bebê, eu e a Dai fazíamos um dupla bem dinâmica. Ela sabia riscar um fósforo na caixa e eu onde colocar fogo. Assim, numa tarde quente um dos coqueirinhos do prédio onde morávamos ardeu em chamas. Lógico que as nossas orelhas também arderam pelos puxões.
Um tempo depois estávamos navegando pelos mares do caribe - tínhamos uma nau pirata - Eu de capitão e a Dai de imediato. A Dal era aquele que vai na vigília... bem, adentramos em mar grande e as ondas estavam bem altas - imagine três crianças em cima de uma cama de solteiro estilo colonial fazendo com que o estrado abaixe e suba numa das extremidades - De repente ouvimos o som do baque do vigia caindo do seu posto de observação direto no mar bravio... as ondas chacoalhavam demais o navio... o capitão grita: "homem ao mar!!!" e o imediato repete o brado... e o tal homem ao mar grita "ai-ai-ai!!!!!" e mostra a fronte com um belo talho na testa...ôpa!
Na empolgação do pula-pula a Dal foi para o lado oposto de onde estávamos pulando e foi "catapultada" para fora da cama caindo de testa no chão do quarto. A nossa mãe assustada com o barulho da queda e com a gritaria que suscedeu, entrou no quarto com uma toalha de rosto (ela estava no banheiro) para nos dar uma carraspana e viu a baixinha aos berros com a cara toda ensanguentada... pegou a menina e colocou a toalha para estancar o sangue e correu para pegar a chave do carro e levá-la para o PS... Daí eu gritei "mãe! deixa ao menos a Dal respirar! a toalha tá sufocando ela! (e estava mesmo). Saldo da brincadeira: castigo para a tripulação - fomos proibidos de embarcar no navio de novo - e sete pontos na testa da Dal.
Depois copiamos a famosa brincadeira que conhecemos no colégio chamada de "limão" no banco de tras do carro. Quem ficasse no meio era o limão. Quando o carro fazia a curva, os que ficavam de cada lado do coitado do meio fazia de tudo para empurrar ele para o lado oposto. E, como falavam na época, "brincadeira de mão e peido de c. sempre termina fedendo". Ou o limão amarelava e dizia "não brinco mais!" ou a mão perigosa da mamãe procurando uma orelha desavisada para torcê-la acabava com a farra. Eu me divertia cutucando a Dai para ela repetir "n" vezes "pára Daniel!". Aí era a minha orelha que a mão da minha mãe procurava.
Eu e a Dai fomos ao mesmo tempo aprender a nadar. A Dal foi aprender depois. Era gozada a sensação de medo das primeiras aulas no Olinda Praia Clube. A piscina parecia um Titicaca azul e profundo. Daí quando tivemos a oportunidade (imposta) de cruzá-la de ponta-a-ponta, fizemos como se disso dependesse a nossa vida. E a cada braçada ela ficava mais comprida. Nunca mais vou esquecer a trilha sonora daquela época..."Eu sou núvem passageira; que com o vento se vai; Eu sou como um cristal bonito; que se quebra quando cai..."
Estudávamos os três no mesmo colégio no mesmo turno, o da manhã. Praticamente passamos pelos mesmos professores e pelas mesmas dificuldades. A Dai era mais aplicada - CDF mesmo - enquanto eu e a Dal éramos mais da maciota.
A vida de cada um dos três se impôs. Nosso pai adoeceu e tivemos de amadurecer o mais rápido possível. Cada um seguiu na vida como pôde. Eu casei e descasei. A Dai foi para os EUA. A Dal construiu sua família.
Sabe, nem sei se mereço a consideração delas, mas tenho o privilégio de contar com o carinho e ternura de duas almas maravilhosas que se esmeraram para me ajudar quando caí. A Dal é o meu braço direito e sem ela não poderiamos ter o escritório contábil. A Dai, lá de Chicago, parece que nunca está longe. Sempre atenta, nos oferece imprescindível ajuda todas as vezes que precisamos.
Da última vez, a Dai sismou de reformar a casa onde moramos. Tudo bem se fosse uma reforminha para resolver uma infiltração... mas acabou por reformar toda a casa. No princípio, o objetivo era surpreender a nossa mãe quando ela retornasse da viagem que fez para visitá-la nos EUA. Então demos um trato na sala de estar e no quarto dela. A mãe precisou de água com açúcar para se acalmar da emoção. A Dai forneceu os meios, eu uns pitacos e a Dal o empreendimento. E foi assim no resto da reforma.
Quem tem irmãos como as minhas não pode reclamar da vida. É um privilegiado.
"Ela só quer, só pensa em namorar..." xote de Luiz Gonzaga.


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