Data Estelar 02102007
Diário do Capitão - Um estranho evento aconteceu assim que nos aproximamos do planeta classe "M" do sistema solar de Orion. Nossos bancos de dados foram corrompidos por um info-virus. Perdemos toda a dirigibilidade da nave e os controles de sustentação de vida estão trabalhando em emergência. Nossas equipes de manutenção estão trabalhando para evitar uma tragédia.
Ela nasceu em Cássia dos Coqueiros, lugar perto de Cajuru ou melhor, nos arredores de Mococa. Nasceu em casa mesmo, sob a intervenção de uma parteira da região. Teve Icterícia, o que lhe valeu o apelido de “amarelinha”. Viveu os primeiros anos por ali, pés descalços, vestidinho de chita – tinha o cabelinho cor de bronze, quase dourados. A primeira mulher da vida dela foi a minha avó – Dona Maria Antonia. Mulher brava que dava conta de alimentar a família com o singelo ordenado do marido com muita inventividade e determinação. Não importava onde morava – mudavam de casa (sítio) a cada ciclo de plantio ou de manejo de rebanho – sempre cultivava próximo de casa uma horta, algumas galinhas poedeiras, fazia buscas nas árvores frutíferas que ficavam na propriedade. Então sempre havia algum alimento para reforçar o feijão com arroz. Aos nove anos a minha mãe veio com a família morar pela primeira vez em São Paulo.
Diário do Capitão - Um estranho evento aconteceu assim que nos aproximamos do planeta classe "M" do sistema solar de Orion. Nossos bancos de dados foram corrompidos por um info-virus. Perdemos toda a dirigibilidade da nave e os controles de sustentação de vida estão trabalhando em emergência. Nossas equipes de manutenção estão trabalhando para evitar uma tragédia.
Ela nasceu em Cássia dos Coqueiros, lugar perto de Cajuru ou melhor, nos arredores de Mococa. Nasceu em casa mesmo, sob a intervenção de uma parteira da região. Teve Icterícia, o que lhe valeu o apelido de “amarelinha”. Viveu os primeiros anos por ali, pés descalços, vestidinho de chita – tinha o cabelinho cor de bronze, quase dourados. A primeira mulher da vida dela foi a minha avó – Dona Maria Antonia. Mulher brava que dava conta de alimentar a família com o singelo ordenado do marido com muita inventividade e determinação. Não importava onde morava – mudavam de casa (sítio) a cada ciclo de plantio ou de manejo de rebanho – sempre cultivava próximo de casa uma horta, algumas galinhas poedeiras, fazia buscas nas árvores frutíferas que ficavam na propriedade. Então sempre havia algum alimento para reforçar o feijão com arroz. Aos nove anos a minha mãe veio com a família morar pela primeira vez em São Paulo.
O meu avô trabalhava em serviços temporários que mal possibilitava o pagamento do aluguel do “dois cômodos” que ocupavam com quase dez filhos. Um dia chegou filho mais velho com um jornal onde dizia que um proprietário rural precisava de um cuidador para sua fazenda. Foi a chance do Seu João de fazer o que mais sabia. A família voltou a morar no interior, agora mais perto da capital, era em Santana do Parnaíba. Outras mulheres da vida dela: suas irmãs – Lourdes, Terezinha, Zilda, Izair e a mais nova – Benilde. Foi através delas que aprendeu a ser uma mulher. Então, no ano de 1953 – com treze anos – veio morar novamente na capital - dessa vez sozinha - na casa da irmã Lourdes.
Arrumou emprego em uma fábrica de utensílios e brinquedos de plástico e voltou a estudar. Algum tempo depois, a outra irmã que também morava em São Paulo – Terezinha – foi mãe e precisou que ela lhe ajudasse com a pequena Márcia. Foi quando ela se mudou para o bairro onde iria conhecer o meu pai – conhecer ele foi bem depois - antes ela morou no centro da cidade numa pensão para moças. Estudando no Colégio Jabaquara a noite, indo trabalhar no Instituto Nacional do Pinho (depois IBDF e atual Ibama), dando um duro danado para pagar o pensionato dividido com a irmã Izair – saía para trabalhar e estudar e voltar com o dinheiro certinho da condução e que raramente possibilitava um copo de café com leite nas noites geladas da São Paulo quase quatrocentona, passou muito frio e fome. A pensão ficava na Major Sertório, então era andar o máximo possível a pé para economizar algum trocado que faria a diferença para comprar um vestidinho simples que seria usado nas muitas tardes de sábado na praça ou simplesmente passeando pelas calçadas – programa de moça pobre.
E essa moça pobre tinha muitos sonhos. Aliás sempre os teve. Aprender a tocar violão e cantar, se apaixonar por um príncipe, ter uma família e poder dar muito amor a eles, era uma simples mostra do que ela sonhava. E quando conseguia sonhar assim, esquecia da vida difícil que levava, das coisas tristes que havia vivido com a família agora já dispersa em casas distintas, cada um dos irmãos buscando seu caminho na vida de seu jeito e Dona Maria Antonia e o Seu João ainda lutando muito para sobreviver com parcos recursos financeiros. Pois bem, após conhecer alguns pretendentes ela escolheu um rapaz magrinho e alto que tinha um olhar que mexia com ela. Eles eram para “se casar”. E, depois que ele se firmou no emprego como contabilista da agência Carrão do Banco Brasileiro de Descontos, foi o que aconteceu numa tarde chuvosa e fria de outubro de 1964. A festa foi na casa das meus avós paternos com direito a lona esticada no quintal e churrasco de bife (aquele que “espetam” um palito no pão). A Lua-de-Mel, como era tradição, foi em Poços de Caldas. E quando voltaram foram morar no bairro do Carrão, em uma simpática edícula quarto-sala-cozinha-wc alugada. E foi quando morávamos lá que nasci um ano depois. Em 1967 nasceu a Daí, e em 1971 a Dal.
Data Estelar 02102007
Diário do Capitão - Suplemento - Conseguimos reparar o nosso banco de dados e o computador voltou a funcionar normalmente. Se não fosse a determinação da tripulação - principalmente da alferes responsável pela engenharia de processamento de dados, estivemos bem perto do estado de deriva.
A história dela e suas mulheres agora é retomada com as duas filhas – a Daí e a Dal. A Daí, uma bebê linda de olhos pequeninos e cabelos lisos como o que, com um aninho tinha a cara redonda e uma vocação para ser independente que um dia, vinte e poucos anos depois, iria determinar seu futuro bem longe do Brasil.
Data Estelar 02102007
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A história dela e suas mulheres agora é retomada com as duas filhas – a Daí e a Dal. A Daí, uma bebê linda de olhos pequeninos e cabelos lisos como o que, com um aninho tinha a cara redonda e uma vocação para ser independente que um dia, vinte e poucos anos depois, iria determinar seu futuro bem longe do Brasil.
Precoce, adorava as músicas que tocavam no rádio e na tv – a Jovem Guarda e os programas do Chacrinha, Silvio Santos e do Roberto Carlos sempre tinham as moças que dançavam... ela as imitava com perfeição. A Daí foi a primeira pessoa da família toda (contanto com a família do meu pai e da minha mãe – juntas) a aparecer na TV – ela vestia uma roupinha modelo “baianinha florida” e foi dançar com o grupo da escola uma coreografia num programa da TV Universitária do Recife. A Dal nasceu com muita saúde. Tanto que era do tipo “bebê capa de revista”, cheia de dobrinhas e bem tranqüila. Foi a alma que Deus enviou para dar a minha mãe um contraponto de equilíbrio na sua vida. São muito ligadas até hoje. A Dal cresceu de bem com a vida. Foi “muleca” aprontando das suas e participou demais das “aventuranças” que foi a vida delas – a minha mãe, a Daí e a Dal. A minha mãe continuou sonhando. E aquele sonho de aprender a tocar violão e cantar – que realizou graças ao meu pai que ajudou a comprar o instrumento e ao jovem professor de violão e concertista Francisco Araújo, Chico, como era conhecido - ingressou no mundo das notas musicais e partituras e, com três filhos pequenos, depois de estudar no “madureza” para terminar o segundo grau, enfrentou - e passou - o vestibular para Universidade Federal de Pernambuco e se matriculou no curso de música. Ainda me lembro quando a acompanhávamos nas aulas vespertinas de canto-coral, teoria e violão clássico com o Professor Carrion. Todos cresceram ouvindo Beethoven, Mozart, Bach e Chopin. A Daí conheceu o piano da prima Lúcia e quis aprender... um dia depois de voltarmos de uma viagem a Paulo Afonso, o piano estava na sala prontinho para que a Professora Amélia pudesse ensinar a sua primeira aluna de piano, a sua filha Daielma. A Dal preferiu aprender violão. Mas antes passou pela iniciação musical aprendendo flauta doce, ritmos e percussão. A especialização da minha mãe era em licenciatura plena mas desenvolveu na universidade com a colega Raquel, o método alemão de musicalização infantil Carl Orff.
A Daí foi estudar dança na mesma época que a minha mãe conheceu uma atividade que simplesmente a encantou: a ginástica rítmica. Isso aconteceu numa tarde que ela nos levou ao Olinda Praia Clube na natação. Ela ouviu o som da música que tocava no salão superior do clube e foi lá espiar. Ficou encantada. Começou a fazer aulas e depois de um tempão e de cursar diversas matérias na área de expressão corporal e dança, decidiu dar aulas na garagem de casa. Ali nasceu o Centro de Artes Amélia Santos, a “academia”. Ressalto que naquela época o negócio de ginástica rítmica era novo. As faculdades de Educação Física ainda não tinham assimilado este tipo de atividade física e a considerava como expressão artística. No CAAS a Daí desenvolveu diversas atividades de expressão corporal – ela já era mais do que uma aluna de ballet clássico. Então criou as turmas que iam do balézinho ao clássico de diversos níveis. A Dal não ficou de fora. Estimulada pela presença da minha mãe nas aulas de jazz e outras que nem sei falar muito a respeito - não entendo nada disso - sempre estava no meio das coreografias e atividades teatrais. A coisa cresceu e contratamos diversos professores.
Um dia a minha mãe se lembrou da minha avó Maria Antonia. Conversou com o meu pai e foram a São Paulo para buscá-la. Vieram a minha avó, sua sobrinha criada como filha e a filhinha dela. Tudo que a minha mãe queria era dar algum conforto a ela. Por dois anos, ela fez o possível para que isso acontecesse. A minha avó precisou voltar a São Paulo, ficou muito complicado para viver conosco.
A vida foi acontecendo. Diversas vezes a vi defendendo causas nobres. Certa feita descobriu que o filho da empregada – na época com cinco anos - não tinha certidão de nascimento. Só sossegou depois de ver a certidão redigida e carimbada. E para isso, brigou com atendentes da maternidade onde o menino nasceu, disse uns impropérios para o cartorário que fez corpo mole, ameaçou de chamar o prefeito para testemunhar o descaso! Bem, ela sempre foi assim.
O rapaz magro e alto de olhar cativante que conquistara o seu coração – seu esposo - ficou doente. E foi ela quem ouviu sozinha da boca do médico o diagnóstico – Leucemia Mielóide Crônica. E deu conta do recado. Foi buscar em todos os lugares possíveis algo que diminuísse aquele impacto. Mudou a alimentação dele para que recebesse mais nutrientes e ajudar no tratamento. Deu toda atenção e carinho para que ele ficasse melhor. Nesse momento na vida dela surgiu uma outra pessoa que fez a diferença: Dona Nevinha. Conselheira, fez o papel que seria de Maria Antonia que estava em São Paulo. O tempo foi passando. A escola perdeu um bocado do seu viço - o meu pai também. E quando ele decidiu voltar a morar em São Paulo, nosso padrão econômico havia mudado radicalmente. Passamos tudo adiante. Vendemos ou alugamos os imóveis e viemos morar em São Paulo. Foi um baque para ela. Era mais do que perder coisas e o nível econômico. Ela estava perdendo o seu marido. Ele faleceu depois de uma luta de 4 anos.
Aqui em São Paulo ela deu aulas de música – piano, violão e teclado. Formou uma pequena turma de ginástica com suas amigas da vizinhança. Aprendeu a pintar quadros – treinava em qualquer superfície lisa: paredes, caixas de som, laterais de armários, etc. A Daí foi morar nos EUA em 1991 no mesmo ano que Maria Antonia Faleceu; A Dal casou em 1993. A Carol, filha da Dal, nasceu em abril de 1994. Era mais uma mulher na vida da minha mãe e penso que possibilitou uma nova fase na vida dela. Cresceu como se a avó fosse mais uma mãe além da Dal. Temos fotos da pequena Carolina tocando o piano, dançando na frente do espelho, imitando a vovó nas aulas de ginástica. A minha Bia nasceu em 2005. De tão grudada, brincamos com dizendo que ela é o anexo da vó. A Daí vai ser mamãe da Mariana em novembro. A passagem da Vovó Amélia já está marcada – 10/11.
A amarelinha que nasceu num sítio em Cássia dos Coqueiros já foi mais de uma dezena de vezes aos Estados Unidos. Conhece a Europa da Inglaterra até a Itália. Já passeou em um cruzeiro na costa do Brasil. As mulheres da vida dela... penso que minhas irmãs – pessoas maravilhosas – tem muito dela. A coragem de enfrentar a vida e a adversidade; A ternura de acolher sempre para perto aquele que precisa de ajuda. Estou muito orgulhoso de ser filho da Amélia.


Um comentário:
AH!eu não acreditei qdo li este blog,porque vcs fizeram parte de minha vida ,AMELIA,DAIELMA,DALEINE,DANIEL E SEU JOÃO quanta saudade,depois que casei perdi o contato e pesquisando na net achei... espero que este recado vá até vc, vejo que não escreve faz tempo no blog. Fico feliz de encontrar a todos e quero o email de todos bjs bjs...
para saber quem é e descobrir vá ate o meu blog ,eu era de Olinda dancei ,ensinei,e fui grande amiga da sua mãe e irmãs... e AMELIA e seu JOÃO foram meus padrinhos de casamento sabe quem eu sou...
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