quinta-feira, 10 de julho de 2008

Porres na vida

Data Estelar 09042007
"Diário do Capitão - Recebemos um suprimento extra de cerveja romulana para festejar o primeiro aniversário da nossa missão no espaço profundo. A única preocupação que temos é que o efeito do alcool dura 10 vezes mais que o da cerveja da terra..."



Um cara aos 21 anos deve aprender a beber caso contrário será um chato que vive vomitando em todos os cantos. Aos 31 deve aprender a parar se não vai virar um alcoolatra. Aos 41... bem, aí ele descobre quando "não quer" parar - a coisa é especial.
Pois bem, haja porre!
Eu tinha cerca de 13 anos quando saí com os amigos e expeimentei tomar uma cervejinha pela primeira vez. Vou ser sincero, me deu vontade de pedir uma coca-cola, mas a experiência era um ritual de passagem, coisa comum na adolescência que quer transgredir um pouco.
Olha, nunca quis saber de cigarros (nem sei fumar), drogas? nem pensar. Mas gosto de beber uma cerveja bem gelada ou o meu 12 anos predileto e hoje, aos 41, posso dizer que se decidir não parar vai ser para valer. Nunca perdí o controle, é verdade, pois não sou daqueles chatos que não se medem e nem se enxergam e tampouco dei entrada no PS em coma alcóolico.
Foi uma estrada bem percorrida. Na adolescência agente bebe de tudo. Já tomei cachaça (pinga de cabeça inclusa), vermute, ron (rum) com e sem coca-cola, cerveja, porradinha (uma mistura de soda limonada e pinga que se chacoalha e toma de uma vez só), rabo de galo... vinho sem vergonha (que me deixou com vergonha depois), chapagne mosquitinho e caipirinha de tudo quanto é base - pinga, vodka, rum, com limão, kiwi, morango, sem fruta nenhuma, sem gelo, sem açúcar - ôpa! aí é pura mesmo!
Um dos meus memoráveis porres - o único que terei coragem de contar num post nesse blog - aconteceu em Nova Iorque e a vítima foi a minha querida irmãzinha Dai. Tudo começou com o namorado dela querendo tomar a famosa caipirinha na rua 46. Fomos lá... a primeira rodada foi um desastre! o restaurante de comida brasileira que escolhemos serviu uma "coisa" que não era a caipirinha... era um suco de limão com pinga, açúcar e gelo. Foi como insultar o James Bond com um martini batido (ele só toma mexido). Protestei! Cadê o ritual do socar o limão descascado com açúcar e pinga, devagar e com a mistura certa? a adição do gelo para dar o toque de coquetel? Resposta do barman (era de Governador Valadares/Minas): "nem a pau!".
Com o jantar (moqueca à baiana) vieram as latinhas de cerveja brasileira envasilhadas em Porto Rico - descobrí quando tentei ler algumas palavras escritas com erros de português. Tomamos todas e aí o rapaz se emplogou e nos convidou (intimou) para conhecer as bebidas irlandesas (ele era descendente de irlandeses)... fomos alegres a cantar para um irish pub.
Começamos bem... Guinness (parece suco de alcatrão e só desce melhor depois do terceiro gole) e quando o barman descobriu que éramos do Brasil (uma moça no balcão era fã do sepultura) promoveu "umas" rodadas de Jameson para comemorar - para desespero da minha irmã.
Voltamos para casa de taxi (ela não daria conta de empurrar dois marmanjos metrô abaixo) e só me lembro que o motorista vinha do mesmo lugar que a cerveja pseudo-brasileira... ah! me lembro também da cara da Dai ...
Deitado na cama olhando o teto comecei a dar risadas. Foi a primeira vez que ví um ventilador parado com um teto girando.
"Você pensa que cachaça é água? Cachaça não é água não; cachaça vem do alambique e água vem do ribeirão..."

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