quinta-feira, 10 de julho de 2008

É goooolllll!!!!

Data Estelar 14032007
"Diário do Capitão - A tripulação encontra-se com o moral alto apesar dos reveses em nossas últimas batalhas. Nossas perdas são consideráveis mas ainda temos ânimo e capacidade de sustentar o fogo. Acreditamos que os reforços estão a caminho e que assim poderemos conquistar a vitória."


A primeira vez que chutei uma bola de futebol de verdade ela me pareceu tão pesada e tão grande que caí pra trás. Sabe aquelas bolas conhecidas como medicine boll? Com 2, 3 ou 5 quilos? Pois bem, aquela bola de capotão de cor marron me parecia uma delas. Meu pai falava: "força Dani, chuta pra mim!" Essa eu nunca mais vou esquecer.
O meu pai foi o meu grande companheiro no futebol. Ele me levava para o clube de campo todos os fins de semana e ficávamos jogando bola - eu de goleiro e ele de artilheiro. No princípio usávamos aquele brinquedo que tinham duas escadas em pé com uma outra por cima fazendo assim, o papel de traves do gol.
Em todos os passeios - principalmente para a praia - eu levava a bola. Dava para ser o Pelé, o Garrincha, o Pedro Rocha, o Leão, Mirandinha, Gilberto Sorriso, Manga, Valdir Perez, Falcão...
Numa tarde de sábado fomos ao clube. Que nada de piscina! O meu negócio era o futebol. Então fizeram um rachão no campo secundário (o clube tinha uns quatro campos de tamanho oficial) e chamaram todos para participarem da pelada. Foi o maior orgulho ir com o meu pai que jogou na linha e eu no gol... bem, o pessoal era "meio grosso" então colocavam os miúdos no gol, assim ficava mais fácil ter um placar de 7x8, 10x6, etc.
Estavamos ganhando e aí aconteceu algo que me abalou. O meu pai deu um esticão para alcançar a bola e fazer um lançamento cruzando-a na área - alguém iria cabecear para fazer gol - mas nem ví o resultado. O que ví foi o meu pai continuar em direção ao fim do campo depois do cruzamento, cair de joelhos e com o corpo para trás. Ele estava passando mal, havia perdido o fôlego. Estava completamente batido.
Corremos para ele, o ajudamos a deitar de costas para que pudesse recuperar a respiração. Demorou. Se ele estivesse infartando teria sido o fim dele.
O meu pai fumou da adolescência aos 33 anos, pelo menos um maço por dia. Eu ia com freqüência buscar seus cigarros Hollywood na venda e para complicar um pouco mais, além dele ser um contabilista e administrador de uma indústria com mais de 100 empregados numa época economicamente impossível, ele tomava suas cervejas e já havia se acomodado numa rede nas tardes de sábado há um bom tempo.
Foi apenas um susto. Ele se recuperou mas não voltou a jogar naquele dia. Eu ainda o ví jogar bola com o pessoal do Rotary mas ele ficava no gol e corria bem menos e também sua barriga havia crescido. Fomos muitas vezes ao estádio de futebol, torcíamos sempre para o mesmo time e falávamos os mesmos palavrões - que ele nunca deixou de me repreender.
O gosto por chutar a redonda, driblar, as vezes levar um "chão" ou uma trombada é mágico. Quase nos vemos como gladiadores com a determinação mas sabendo que somos iguais e lutamos sob regras.
Ainda me lembro do barulho da bola sendo espalmada para fora... chutada pelo meu pai, defendida por mim.

Nenhum comentário: