Do “Discurso sobre o filho-da-puta”
Alberto Pimenta – Poeta Português
I.
O pequeno filho-da-puta é sempre um pequeno filho-da-puta;
mas não há filho-da-puta, por pequeno que seja, que não tenha a sua própria grandeza, diz o pequeno filho-da-puta.
no entanto, há filhos-da-puta que nascem grandes e filhos-da-puta que nascem pequenos, diz o pequeno filho-da-puta. de resto, os filhos-da-puta não se medem aos palmos, diz ainda o pequeno filho-da-puta.
o pequeno filho-da-puta tem uma pequena visão das coisas e mostra em tudo quanto faz e diz que é mesmo o pequeno filho-da-puta.
no entanto, o pequeno filho-da-puta tem orgulho em ser o pequeno filho-da-puta. todos os grandes filhos-da-puta são reproduções em ponto grande do pequeno filho-da-puta, diz o pequeno filho-da-puta.
dentro do pequeno filho-da-puta estão em ideia todos os grandes filhos-da-puta, diz o pequeno filho-da-puta. tudo o que é mau para o pequeno é mau para o grande filho-da-puta, diz o pequeno filho-da-puta.
o pequeno filho-da-puta foi concebido pelo pequeno senhor à sua imageme semelhança, diz o pequeno filho-da-puta.
é o pequeno filho-da-puta que dá ao grande tudo aquilo de que ele precisa para ser o grande filho-da-puta, diz o pequeno filho-da-puta. de resto, o pequeno filho-da-puta vê com bons olhos o engrandecimento do grande filho-da-puta: o pequeno filho-da-puta o pequeno senhor Sujeito Serviçal Simples Sobejo ou seja, o pequeno filho-da-puta.
II.
o grande filho-da-puta também em certos casos começa por ser um pequeno filho-da-puta, e não há filho-da-puta, por pequeno que seja, que não possa vir a ser um grande filho-da-puta, diz o grande filho-da-puta.
no entanto, há filhos-da-puta que já nascem grandes e filhos-da-puta que nascem pequenos, diz o grande filho-da-puta.
de resto, os filhos-da-puta não se medem aos palmos, diz ainda o grande filho-da-puta.
o grande filho-da-puta tem uma grande visão das coisas e mostra em tudo quanto faz e diz que é mesmo o grande filho-da-puta.
por isso o grande filho-da-puta tem orgulho em ser o grande filho-da-puta.
todosos pequenos filhos-da-puta são reproduções em ponto pequeno do grande filho-da-puta, diz o grande filho-da-puta. dentro do grande filho-da-puta estão em ideia todos os pequenos filhos-da-puta, diz o grande filho-da-puta.
tudo o que é bom para o grande não pode deixar de ser igualmente bom para os pequenos filhos-da-puta, diz o grande filho-da-puta.
o grande filho-da-puta foi concebido pelo grande senhor à sua imagem e semelhança, diz o grande filho-da-puta.
é o grande filho-da-puta que dá ao pequeno tudo aquilo de que ele precisa para ser o pequeno filho-da-puta, diz o grande filho-da-puta. de resto, o grande filho-da-puta vê com bons olhos a multiplicação do pequeno filho-da-puta: o grande filho-da-puta o grande senhor Santo e Senha Símbolo Supremo ou seja,o grande filho-da-puta.
Do autor deste blog: Qual dos dois tipos sou?
sexta-feira, 22 de maio de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Keep Walking
DATA ESTELAR 07042009
Diário do Capitão - Estamos a caminho em nova missão. Indo audaciosamente, onde nenhum homem jamais foi. Esta é mais uma aventura que empreendemos para fazer contato com novas formas de vida e adicionar à existência humana algo além de seu conhecimento.
Ajustei os cadarços dos tênis, acionei o monitor cardíaco Pollar e o MP3 e saí pela calçada; Manhã fresca e sem sol.
Apertei o passo, subi pela Paracatú e cruzei a Jabaquara descendo em direção a Whitaker.
Subi a ladeira que apelidei de “ascenção lusitana” e, quase botando os bofes pra fora e o monitor batendo 138, dobrei a direita e segui pela Piassanguaba... iria marchar por mais 30 minutos... na ida e 30 na volta.
Isso me faz pensar sobre as coisas e fatos. Não, nada para se obter conclusões, apenas vou relacionando as sensações com lembranças, sei lá.
Faço isso já algum tempo. E dessa vez percebi que os cães que normalmente ficam nos portões “xingando” e matando de susto os transeuntes desavisados não estavam por ali. Gozado.
O tempo passou para eles e para mim, velho cachorro passeador das manhãs. Será que algum deles já foi dessa para melhor? E se foi, foi para o céu de cães ou para o inferno? Lembrei de uma cena de uma série de TV (desenho animado) que retratava o inferno dos cães como um lugar que eles iam quando morriam (quando mereciam) que de um lado tinha um hidrante e do outro ficavam os coitados e, entre os dois lados, um baita aspirador de pó instigando os condenados - cachorro morre de medo de aspirador de pó.
O tempo passou mesmo. Menos colegas...
Verifiquei o monitor: 120.
No MP3 tocava aquela música do America: “A horse with no name”...
...I've been through the desert on a horse with no name It felt good to be out of the rain In the desert you can remember your name 'Cause there ain't no one for to give you no pain La, la ...
Apertei o passo, subi pela Paracatú e cruzei a Jabaquara descendo em direção a Whitaker.
Subi a ladeira que apelidei de “ascenção lusitana” e, quase botando os bofes pra fora e o monitor batendo 138, dobrei a direita e segui pela Piassanguaba... iria marchar por mais 30 minutos... na ida e 30 na volta.
Isso me faz pensar sobre as coisas e fatos. Não, nada para se obter conclusões, apenas vou relacionando as sensações com lembranças, sei lá.
Faço isso já algum tempo. E dessa vez percebi que os cães que normalmente ficam nos portões “xingando” e matando de susto os transeuntes desavisados não estavam por ali. Gozado.
O tempo passou para eles e para mim, velho cachorro passeador das manhãs. Será que algum deles já foi dessa para melhor? E se foi, foi para o céu de cães ou para o inferno? Lembrei de uma cena de uma série de TV (desenho animado) que retratava o inferno dos cães como um lugar que eles iam quando morriam (quando mereciam) que de um lado tinha um hidrante e do outro ficavam os coitados e, entre os dois lados, um baita aspirador de pó instigando os condenados - cachorro morre de medo de aspirador de pó.
O tempo passou mesmo. Menos colegas...
Verifiquei o monitor: 120.
No MP3 tocava aquela música do America: “A horse with no name”...
...I've been through the desert on a horse with no name It felt good to be out of the rain In the desert you can remember your name 'Cause there ain't no one for to give you no pain La, la ...
A batida ajudava na cadência da caminhada. Para correr e caminhar prefiro uma música leve do que as que enchem a minha mente entrando pelos ouvidos e ocupando cada centímetro da minha cabeça. Sou homem e como tal não faço várias coisas ao mesmo tempo (só as mulheres conseguem). Logo, andar, pensar e ouvir música é uma proeza e tanto (e há grande chance de uma delas dar errado). Por exemplo, corro sério risco de “tropicar” numa falha do calçamento ou pisar num “charuto” que um colega deixou quando estava passeando, pois além de andar, pensar e ouvir música, ainda tenho de prestar atenção aonde piso. Claro que poderia ser pior, já pensou: “tropicar” no “charuto” e pisar numa falha do calçamento? Nisso, me ocorreu uma outra lembrança inútil: a tal piada do professor que se perguntou enquanto olhava uma pradaria com o gado pastando e os pássaros voando: “Porque será que as vacas não voam e os pássaros não pastam sendo o céu ao maior que o pasto e, portanto, proporcionalmente adequado ao tamanho delas?”. Um dos penosos que voavam acima de sua cabeça lhe bombardeou em cheio. Ele então concluiu: “Sábio Deus”.
As árvores também são minhas colegas nas caminhadas. Em certas manhãs bem cedo, aquelas com alguma bruma ainda da madrugada fria, com os raios de sol passando por sua folhagem, dão um toque especial ao trajeto. Acolhem os passarinhos e emolduram a rua fazendo-a parecer um túnel com luz, sombra e vida. Os meus pés, queridos pés, que me aturam o dia inteiro me levando onde quero, calçam o tênis Nike e me fazem voar a cada passada. O meu primeiro tênis foi um da marca “Rainha”, era 1975.
Acho que depois da bota, foi o “pisante” mais revolucionário inventado pelos sapateiros. Depois dele, o esporte não foi mais o mesmo. Além disso, ele diferiu o que era roupa esportiva ou casual de roupa social (antes era tudo a mesma coisa – lembra do 757 da vulcabrás?). Imagine-se - ou se lembre - fazendo os exercícios na aula de ginástica da escola com o velho sapato escolar – é, aquele pretinho que terminava o ano todo esfolado. Então o uniforme era camisa branca com o escudo da escola no bolso, calção para os meninos e mini-saia de preguinhas para as meninas na cor azul escuro, meias finas brancas e o pretinho básico.
Mais ou menos em 1976 o tal pretinho casou com uma chuteira; Nasceu o kichute. Não era sapato, não era chuteira e não era tênis. Fazia um chulé de dar inveja a qualquer parmesão e ainda fazia as famosas marcas de freadas no chão de cimento ou de cerâmica e, só por sacanagem, nas paredes. O tal kichute era mesmo formidável, durava mais que os cadarços que além de desfiarem, estouravam. Os cordões eram compridos e a moda era dar voltas no tornozelo antes do laço. Digo, em parte era moda, mas também era por precaução. Certa feita vi um deles solto no ar na direção da cara de um goleiro que, preocupado e agarrar a redonda, tomou com o voador bem no olho esquerdo - mas não tomou o gol. No chute, o kichute virava petardo.
E por lembrar de kichutes voadores, me lembrei que num atropelamento o sapato é o primeiro que voa – sério! E, por estar a poucos passos de uma esquina bem movimentada, parei para recuperar o fôlego. No monitor 118. O hit era “Learning to fly” do Pink Floyd. ...A soul in tension that's learning to fly Condition grounded but determined to try Can't keep my eyes from the circling skies Tongue-tied and twisted just an earth-bound misfit, I...
Hora de voltar, tinha mais 30 minutos para encerrar a caminhada. Houve uma época que quando chegava no meio da jornada eu sentia a musculatura da perna queimar. Agora não, não queimava mais; Acostumei. Aliás, a gente se acostuma, se conforma e se adapta para sobreviver. A vida continua, continue andando – já dizia o velho Johnnie; Então keep walking. Naquela época em que as minhas pernas doíam, eu chorava. Não pela dor física, mas outra, a inconfomação de não conseguir me acostumar, acomodar e aceitar que a vida é como uma estrada para ser percorrida. Muitas vezes voltando, entrava na igreja São Judas e sentava nos bancos mais afastados para chorar. Atravessei a Jabaquara e desci a Fagundes, parei para comprar pão. Desci rápido a rua de casa e cheguei a tempo de tomar uma xícara de café recém-coado. Tocava a última música no MP3: “Tempos modernos” Lulu Santos.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
A Bia e o Saci
Data Estelar 28102008
Diário do Capitão – Nossa equipe de ciências está estudando uma nova civilização com a qual acabamos de fazer o primeiro contato. Em especial, as crianças que parecem ter a consciência adulta. Enfim, esperamos aprender mais para podermos aplicar esse conhecimento em prol dos povos que precisam se desenvolver.
Pois bem, as crianças de hoje vem com software de última geração. Por exemplo a Bia. Parece até que é expert em folclore brasileiro. Nesse fim de semana fomos passear num shopping e lá havia uma sessão de teatro infantil. Sentamos nos puffs destinado ao público e esperamos.
Sabe, parece que fico puxando o saco (é corujisse mesmo)... sei lá, que se dane! Alguém me explica por favor como uma menininha de três anos é capaz de dizer coisas como: “cavalgar” ao invés de andar a cavalo, os plurais corretos, contar histórias com começo, meio e fim, eleger um dia da semana (o dela é quinta-feira e não me pergunte porquê) como o que tudo acontece...?
A peça começou. Era uma que contava a história do bumba meu boi com sotaque nordestino e zabumba.
Quando ela tinha cerca de quatro meses, na festa de passagem do ano, já demonstrava como interagia com o ambiente. Enquanto estouravam os fogos, eu dizia pra ela: “Bia, bum,!” Então quando não repetia a ladainha, ela me olhava com a carinha de “estorou uma bombinha e você não me tranqüilizou!”... Com seis meses esticava os olhinhos para ver o que a prima Carol fazia no quarto com as amigas (e queria estar lá com elas). Aprendeu a falar mamãe... depois papai... então tudo era mamãe-bliebrrr-papai...
Os dois personagens infernizavam a vida do boi falando de pratos que o ingrediente principal era carne bovina até que o coitado do chifrudo bateu com as quatro.
Quando voltei da primeira viagem que durou vinte dias, estava morrendo de saudades... e de medo também. Pensava que ela não iria lembrar de mim. Engano meu, quando passei pelo portal da sala ela pulou do colo da avó e saiu correndo para me encontrar.Pulou no meu colo gritando papaaaaaiiiii!
O público sentado nos puffs da frente, esquecidos que atrás vem gente (digo, tinha), não colaboravam e foi preciso sair dos bamboleantes puffs e ficar em pé do lado de fora com a Bia sentada em meus ombros – tipo cavalinho.
Aprendeu a articular as frases logo estava perguntando “que é isso?” “porque aquilo”... e lógico, o “não” pra tudo.
Antes de andar a Bia passou como todo bebê pela fase do engatinhar. Só que ela engatinhou de um jeito engraçado... eu apelidei de “engatibunda” porque ela engatinhava com o bumbum no chão. Certa feita, num passeio na Praia Grande, ela se viu de repente, numa praiona cercada de areia! Livre pra engatibundar! E deixamos ela se divertir... e deu cada piau! Rápida, quando vimos já estava bem longe engatibundando pela areia da praia. Voltamos para o apartamento ela parecia um tatuzinho com areia até no cabelo.
Depois de chorar as pitangas até para o “Padim Ciço”, a dupla se viu em maus lençóis. Como devolver o boi para o dono daquele jeito? E foi quando apareceu o tal neguinho de carapuça vermelha... e eu perguntei pra Bia: “nossa! Quem será aquele?” e ela respondeu baixando a cabecinha do lado do meu rosto: “ é o saci, pai”.
No sítio, ficou amiga da galinhada. Foi um tal de dar comida pras galinhas até quase estourar o papo delas de tanto jogar milho. E a Vó Melha (Vovó Amelia) ainda contou histórias de pintinhos e suas mamães... até que surgiu o filhote da angola. Era um filhote, e fazia muito tempo que elas não procriavam, e foi cuidado com carinho. Então numa tarde que a Bia estava por lá, um gavião deu um rasante no galinheiro visando capturar o jantar e a angolada deu o alarme, ou melhor fez uma algazarra daquelas. A Bia correu para o terreiro com a avó e viram o tal penoso sobrevoando a área. Ela ficou muito brava e falava para o gavião: “ Vai embora malvado! Não vai pegar o filhote da angola, não!” – tenho tudo gravado em DVD – Mas como proteger a cria quando as maiores vão dormir nos galhos das árvores em volta do galinheiro e o filhote fica pulando próximo querendo subir lá também? Uns dias depois ficamos sabendo que o filhote havia sumido. A Bia foi taxativa: “Foi o gavião”.
Naquela noite, em casa enquanto nos preparávamos para ir dormir, confabulava com a avó lá na cozinha. Não sei o que conversaram, mas quando fui chamá-la para colocar o pijama, enquanto a avó dizia que queria ser uma galinha e ela era o pintinho, ela dizia que era a galinha.
Daí eu olhei para aquele rostinho ornado de cachinhos e perguntei: “Sací, Bia?” “Você sabe como e anda?”... ela respondeu: “Ele não anda, pai...ele pula”.
Pois bem, as crianças de hoje vem com software de última geração. Por exemplo a Bia. Parece até que é expert em folclore brasileiro. Nesse fim de semana fomos passear num shopping e lá havia uma sessão de teatro infantil. Sentamos nos puffs destinado ao público e esperamos.
Sabe, parece que fico puxando o saco (é corujisse mesmo)... sei lá, que se dane! Alguém me explica por favor como uma menininha de três anos é capaz de dizer coisas como: “cavalgar” ao invés de andar a cavalo, os plurais corretos, contar histórias com começo, meio e fim, eleger um dia da semana (o dela é quinta-feira e não me pergunte porquê) como o que tudo acontece...?
A peça começou. Era uma que contava a história do bumba meu boi com sotaque nordestino e zabumba.
Quando ela tinha cerca de quatro meses, na festa de passagem do ano, já demonstrava como interagia com o ambiente. Enquanto estouravam os fogos, eu dizia pra ela: “Bia, bum,!” Então quando não repetia a ladainha, ela me olhava com a carinha de “estorou uma bombinha e você não me tranqüilizou!”... Com seis meses esticava os olhinhos para ver o que a prima Carol fazia no quarto com as amigas (e queria estar lá com elas). Aprendeu a falar mamãe... depois papai... então tudo era mamãe-bliebrrr-papai...
Os dois personagens infernizavam a vida do boi falando de pratos que o ingrediente principal era carne bovina até que o coitado do chifrudo bateu com as quatro.
Quando voltei da primeira viagem que durou vinte dias, estava morrendo de saudades... e de medo também. Pensava que ela não iria lembrar de mim. Engano meu, quando passei pelo portal da sala ela pulou do colo da avó e saiu correndo para me encontrar.Pulou no meu colo gritando papaaaaaiiiii!
O público sentado nos puffs da frente, esquecidos que atrás vem gente (digo, tinha), não colaboravam e foi preciso sair dos bamboleantes puffs e ficar em pé do lado de fora com a Bia sentada em meus ombros – tipo cavalinho.
Aprendeu a articular as frases logo estava perguntando “que é isso?” “porque aquilo”... e lógico, o “não” pra tudo.
Antes de andar a Bia passou como todo bebê pela fase do engatinhar. Só que ela engatinhou de um jeito engraçado... eu apelidei de “engatibunda” porque ela engatinhava com o bumbum no chão. Certa feita, num passeio na Praia Grande, ela se viu de repente, numa praiona cercada de areia! Livre pra engatibundar! E deixamos ela se divertir... e deu cada piau! Rápida, quando vimos já estava bem longe engatibundando pela areia da praia. Voltamos para o apartamento ela parecia um tatuzinho com areia até no cabelo.
Depois de chorar as pitangas até para o “Padim Ciço”, a dupla se viu em maus lençóis. Como devolver o boi para o dono daquele jeito? E foi quando apareceu o tal neguinho de carapuça vermelha... e eu perguntei pra Bia: “nossa! Quem será aquele?” e ela respondeu baixando a cabecinha do lado do meu rosto: “ é o saci, pai”.
No sítio, ficou amiga da galinhada. Foi um tal de dar comida pras galinhas até quase estourar o papo delas de tanto jogar milho. E a Vó Melha (Vovó Amelia) ainda contou histórias de pintinhos e suas mamães... até que surgiu o filhote da angola. Era um filhote, e fazia muito tempo que elas não procriavam, e foi cuidado com carinho. Então numa tarde que a Bia estava por lá, um gavião deu um rasante no galinheiro visando capturar o jantar e a angolada deu o alarme, ou melhor fez uma algazarra daquelas. A Bia correu para o terreiro com a avó e viram o tal penoso sobrevoando a área. Ela ficou muito brava e falava para o gavião: “ Vai embora malvado! Não vai pegar o filhote da angola, não!” – tenho tudo gravado em DVD – Mas como proteger a cria quando as maiores vão dormir nos galhos das árvores em volta do galinheiro e o filhote fica pulando próximo querendo subir lá também? Uns dias depois ficamos sabendo que o filhote havia sumido. A Bia foi taxativa: “Foi o gavião”.
Naquela noite, em casa enquanto nos preparávamos para ir dormir, confabulava com a avó lá na cozinha. Não sei o que conversaram, mas quando fui chamá-la para colocar o pijama, enquanto a avó dizia que queria ser uma galinha e ela era o pintinho, ela dizia que era a galinha.
Daí eu olhei para aquele rostinho ornado de cachinhos e perguntei: “Sací, Bia?” “Você sabe como e anda?”... ela respondeu: “Ele não anda, pai...ele pula”.
sábado, 27 de setembro de 2008
Ô de terra!
Data Estelar 27092008
Diário do Capitão - Fomos designados para o quadrante delta da área vigiada pela frota estelar. Assim, a estação espacial número 10 será a nossa doca espacial até o fim da missão que poderá durar mais de um ano. A nossa missão será a de fazer o primeiro contato com cerca de 150 novas civilizações existentes no quadrante. A cada novo contato, assimilaremos seus costumes, leis e cultura. A idéia é possibilitar uma perfeita compreensão para não interferir no progresso de cada civilização.
Ô de terra!
Estou retornando. Dei um tempo nas redações; Era tanto trabalho e preocupações que quando parava um pouquinho para escrever o meu vocabulário parecia um dicionário que havia perdido algumas páginas... “como era a palavra mesmo? O sinônimo era...”
Estresse, cabeça cheia, saco cheio... sei lá!
Mas é hora de soltar as amarras, soltar o pano e conduzir a nave porto a fora e mar adentro. Antes, porém, gostaria de contar algumas novidades acerca dos textos do blog.
A primeira é que estamos de velas novas, isto é, novo hosting – o Blogspot.com – o do Terra continuará por lá por um tempo – como um fantasma, penso – até o provedor decidir tirá-lo do ar. Hã, não deixei recado lá? É verdade. Não deixei porque o Terra simplesmente bloqueou o acesso de administração do blog – não dá mais para postar novos textos ou editar os já postados – It´s too much monkey business.
A segunda é a nova “anima” da nau. Ânima, é aquela escultura feminina que vai na frente dos veleiros dos séculos XVIII e IX. Não! não é carranca, é ânima mesmo! O nome dela? Lucrécia. Ela representa a alma de uma embarcação. Como podem constatar até a diagramação e design do blog ficou mais animado né?
A terceira e última novidade é que pegamos emprestada a bússola maluca do Capitão Jack Sparrow (ver Piratas do Caribe). Agora, esta nau irá para onde ela apontar; E ela tem o dom de apontar para destinos insólitos. Então teremos textos de ficção, “causos”, histórias, crônicas, piadas e, se eu tiver coragem, alguns “represados” – escritos nos últimos dois anos que são cheios de sentimentos e sonhos mas, por tentar me poupar, preferi deixá-los dormindo... mas a bússola vai despertá-los.
Os textos represados poderão destoar um pouco dos outros, pois coloco mais do que pensamentos, coloco sentimentos e o que me passou pela cabeça quando os escrevia. De antemão peço desculpas se acaso algum deles ofender ou agredir alguém... não foi para isso que eles foram escritos. Mas se existem, merecem ser publicados.
Continuam as introduções sci-fi, as regras dos comentários (as respostas agora serão por e-mail) e vou tentar manter a foto do autor (capitão) atualizada.
Vai ter mais da miudinha Bia. Coisas engraçadíssimas e coisas que fará o leitor parar para pensar. O humor dela é demais.
A junkie Box do maluco errante vai continuar a tocar os hits bacanas e próprios das aventuras e continua aceitando sugestões de letras musicais dos leitores – mandem a sugestão que iremos fazer o possível para postar.
Por fim vai aqui uma dica de leitura muito bacana e que tem tudo a ver com esse blog: “Nos Confins do Mundo” de Harry Thompson. Fala da história do Beagle, navio inglês que no século IX possibilitou as viagens de Charles Darwin – aquele da Teoria da Evolução. Vale a pena se a alma não é pequena - mesmo tendo o livro 711 páginas.
Ô de terra!
Estou retornando. Dei um tempo nas redações; Era tanto trabalho e preocupações que quando parava um pouquinho para escrever o meu vocabulário parecia um dicionário que havia perdido algumas páginas... “como era a palavra mesmo? O sinônimo era...”
Estresse, cabeça cheia, saco cheio... sei lá!
Mas é hora de soltar as amarras, soltar o pano e conduzir a nave porto a fora e mar adentro. Antes, porém, gostaria de contar algumas novidades acerca dos textos do blog.
A primeira é que estamos de velas novas, isto é, novo hosting – o Blogspot.com – o do Terra continuará por lá por um tempo – como um fantasma, penso – até o provedor decidir tirá-lo do ar. Hã, não deixei recado lá? É verdade. Não deixei porque o Terra simplesmente bloqueou o acesso de administração do blog – não dá mais para postar novos textos ou editar os já postados – It´s too much monkey business.
A segunda é a nova “anima” da nau. Ânima, é aquela escultura feminina que vai na frente dos veleiros dos séculos XVIII e IX. Não! não é carranca, é ânima mesmo! O nome dela? Lucrécia. Ela representa a alma de uma embarcação. Como podem constatar até a diagramação e design do blog ficou mais animado né?
A terceira e última novidade é que pegamos emprestada a bússola maluca do Capitão Jack Sparrow (ver Piratas do Caribe). Agora, esta nau irá para onde ela apontar; E ela tem o dom de apontar para destinos insólitos. Então teremos textos de ficção, “causos”, histórias, crônicas, piadas e, se eu tiver coragem, alguns “represados” – escritos nos últimos dois anos que são cheios de sentimentos e sonhos mas, por tentar me poupar, preferi deixá-los dormindo... mas a bússola vai despertá-los.
Os textos represados poderão destoar um pouco dos outros, pois coloco mais do que pensamentos, coloco sentimentos e o que me passou pela cabeça quando os escrevia. De antemão peço desculpas se acaso algum deles ofender ou agredir alguém... não foi para isso que eles foram escritos. Mas se existem, merecem ser publicados.
Continuam as introduções sci-fi, as regras dos comentários (as respostas agora serão por e-mail) e vou tentar manter a foto do autor (capitão) atualizada.
Vai ter mais da miudinha Bia. Coisas engraçadíssimas e coisas que fará o leitor parar para pensar. O humor dela é demais.
A junkie Box do maluco errante vai continuar a tocar os hits bacanas e próprios das aventuras e continua aceitando sugestões de letras musicais dos leitores – mandem a sugestão que iremos fazer o possível para postar.
Por fim vai aqui uma dica de leitura muito bacana e que tem tudo a ver com esse blog: “Nos Confins do Mundo” de Harry Thompson. Fala da história do Beagle, navio inglês que no século IX possibilitou as viagens de Charles Darwin – aquele da Teoria da Evolução. Vale a pena se a alma não é pequena - mesmo tendo o livro 711 páginas.
domingo, 14 de setembro de 2008
Too much monkey business - Chuck Berry
Olha pessoal, tô aqui em Maceió, sem bagagem (mandaram a minha pra Aracajú), sem tomar banho, não conseguí pregar o olho a noite toda (não durmo em vôos noturnos e o quarto do hotel era minúsculo, sem janelas, abafado, quente - com o ar condicionado quebrado!). Então lembrei desse hit do Chuck Berry de 1956... dá certinho!
Running to and fro, hard-working at the mill
Never fails in the mail, yeah, comes a rotten bill
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again
Salesman talking to me, trying to run me up a creek
Say, "you can buy, go one and try, you can pay me next week"
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again
Long-haired, good-looking, trying to get me hooked
Wants me to marry, settle down, get a home, write a book
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again
Been to Yokohama, been a-fighting in the war
Army bunk, Army go, Army chow, army clothes
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again
Same thing, every day, getting up, going to school
No need of me complaining, my objections over-ruled
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again
Working in the filling station, too many tasks
Wipe the windows, check the tires, check the oil, the dollar gas
Too much monkey business
Too much monkey business
Don't want your botheration, get away, leave me
Running to and fro, hard-working at the mill
Never fails in the mail, yeah, comes a rotten bill
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again
Salesman talking to me, trying to run me up a creek
Say, "you can buy, go one and try, you can pay me next week"
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again
Long-haired, good-looking, trying to get me hooked
Wants me to marry, settle down, get a home, write a book
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again
Been to Yokohama, been a-fighting in the war
Army bunk, Army go, Army chow, army clothes
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again
Same thing, every day, getting up, going to school
No need of me complaining, my objections over-ruled
Too much monkey business
Too much monkey business
Too much monkey business for me to involve again
Working in the filling station, too many tasks
Wipe the windows, check the tires, check the oil, the dollar gas
Too much monkey business
Too much monkey business
Don't want your botheration, get away, leave me
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Nos céus de ícaro
Data Estelar 21022008
Diário do Capitão - A caminho do sistema Paris III, fomos atacados por uma flotilha de naves desconhecidas. Estamos trabalhando duro para nos prepararmos para um novo ataque. Nossas baixas são enormes mas vamos resistir.
Ultimamente tenho viajado a trabalho o que tem acrescentado umas horas “extras” no brevê do meu anjo da guarda e uns pontos no programa de milhagem. Confesso que apesar de ficar bem cansado pelo stress das conexões, atrasos e compromissos rigorosamente cumpridos a contento, não tenho muito do que reclamar.
Salvador, vista durante a decolagem no entardecer, já com o sol rasante, é uma imagem simplesmente mágica! E quando o avião alcança a altitude logo acima das núvens mais densas e o sol colore tudo com uma cor alaranjada? Meus olhos ficam até marejados – sabe aquele cenário de filme épico que retrata o céu para um ato grandioso de Deus? fico agradecido ao Altíssimo pela saúde perfeita dos meus olhos e a oportunidade.
Aproveito o maximo nos vôos. Só não os “lanchinhos” nessa época de low fare que quando não é barrinha de cereais ou amendoins, é aquele saquinho com dois biscoitinhos salgados igual aos que os laboratórios de coleta de exames distribuem depois de deixarmos nossa contribuição hemógloba... mas voltando à terra, digo, aos ares, espeto o meu headphone na tomada do braço da poltrona e vou curtindo as músicas disponíveis do sistema de mídia sonora do avião. Hã? Quando não tem disso? Ahá! Puxo o famigerado MP3 com mais de 12 horas de músicas selecionadas e não me aperto.
Por falar em se apertar, perceberam a distância entre as poltronas? Mais um pouquinho de nada se um quiser deitar o encosto, todos terão de fazê-lo também! Imaginem a cena: “Aqui é a chefe de cabine Aeromoça Linda e é chegada a hora do relaxamento em vôo para os passageiros da fileira “c”. Então ao meu comando todos deverão premer o botão que fica no braço esquerdo de seu assento e empurrar com as costas – todos ao mesmo tempo, por favor – até o ponto máximo de inclinação...” patético, né?
E as aeromoças? Ah! meu Deus! Como elas conseguem ser tão, tão? Risos a beça... Olha, público feminino desse blog, antes de me esculhambarem, por favor dêem um pouquinho de atenção ao que ressalto sobre àquelas beldades. Eu acredito piamente no charme que toda mulher tem mas, me expliquem por favor, o feitiço que faz todo marmanjo - em seu juízo perfeito – aproveitar a oportunidade enquanto convivem com suas presenças, viajar na imaginação e se apaixonar por por aquelas moças no tempo que dura a viagem!
Mas continuando com o assunto da vista aérea, quando dá para sentar na poltrona da janelinha, parece que viramos crianças... Outro dia voltando de Ilhéus - e lá a decolagem se dá direto para o mar - quando o avião subindo virou para retornar ao continente, ví a lua! E que lua! Cheia de graça!
Fiquei imaginando o comandante alguns minutos antes, quando fazia decolar aquele avião de frente para aquele luarão, se não passou ao menos por uma fração de segundos em sua cabeça a idéia de quando era garoto ele teria brincado de astronauta – para ir a lua – e, pilotando uma máquina de última geração com 130 passageiros e 8 tripulantes, indo para os céus, de frente para a lua – que sensação!
Eu gosto de voar. Tá bom, você deve estar me achincalhando agora: “Esse aí passa a vida toda a cinco centímetros do chão e quando está lúcido...” Mas gosto mesmo. A primeira vez foi quando a minha família mudou para Recife/PE. Eu tinha cinco anos, embarcamos num vôo da Varig em Congonhas e... sempre que era possível voávamos de cá pra lá e de lá pra cá.
Eram aviões Boeing 727 (com três turbinas na traseira); Uma vez, numa conexão inesperada do Rio de Janeiro para São Paulo, experimentei o novo 737, um aparelho da Vasp.
As principais companhias brasileiras da década de 70 (Cruzeiro, Varig, Transbrasil e Vasp) utilizavam o velho e confiável trijato 727 como principal veículo das suas frotas. Logo, o 737 – muito parecido com os de hoje, só que com motores menos econômicos e bem mais barulhentos – foram tomando o seu lugar.
Eu não voei num 707 ou o 747 jumbo porque eram destinados para linhas internacionais e só cruzei a linha do equador com destino a europa em 2000 (e num Airbus A340). Mas andei nos clássicos turbo-hélices Electra II da ponte aérea, num Embraer Bandeirante, num Airbus A300 velho caindo aos pedaços (mas chegou inteiro comigo dentro), num Bombardier igualzinho o Embraer 190 e no próprio também; num aviãozinho com dois motores a hélices cujo modelo e fabricante não me recordo (Saab); no Embraer Brasília voei recentemente pelos céus da Bahia. E foi indo pra lé que voei no ATR 42 e ví lá de cima a Chapada Diamantina. Tive o privilégio de voar nos Fokker 50 e 100 (quando este ainda era a sensação no tranporte); Todas as vezes que fui para os EUA fui (e voltei) de 767.
A aventura aérea mais maluca foi quando voei num ultraleve em Natal/RN (o mesmo que depois caiu matando o piloto e o passageiro – turista paulista).
Do chão, quando aprecio um avião lá no alto e ganhando altura para seu vôo de cruzeiro, nunca me conformo de não estar lá em cima. Teve um ano, acho que foi em 2004, que batí todos os meus recordes de ir ao aeroporto sem viajar. Encheu o saco levar e buscar o povo com aquela cara de quem voou (e eu não!).
Quando garoto, economizei uns trocados e comprei cinco balões (bexigas) com gás. Levei pra casa e com um cachepô de vime trançado, fiz um “aerostato” (tirei esta do fundo do baú) que voou! É bem verdade que bateu no teto da sala de casa, mas voou. Era o meu dia de Santos Dumont. Fiz muitos quadrados e pipas; Balões nas festas juninas – o meu pai me ensinou a fazer o do tipo “mixirica” e o “caixa”; Aviãozinho de papel então, nem se fala (outra vez conto umas de quando trabalhava num prédio no vale do anhangabaú) e construí dois aeromodelos de madeira wire-control que só não acrescentei os motores porque eram muito caros. Mas fiz voar uns pequeninos propelidos a torção de elástico.
Não sei porque não entrei para a aviação. Certa feita até fui no aeroclube de São Paulo perguntar o que precisava para me tornar um piloto privado. Era muito caro e sem chances a curto prazo (mal ganhava para pagar a faculdade). Para encerrar o post vou contar aqui um sonho que tive quando era garoto:
“De repente, como mágica, saí do chão. Minhas asas batiam forte! Era fácil fazê-las me levantar Então subí, além do que imaginava, e ví o céu que não via lá de baixo... acima das núvens. A lua brilhava, cheia. O vento então se mostrou com uma lufada forte que me fez desviar do caminho; Retomei com coragem o vôo sem me largar a cair. Percebí então que lá em cima que era o céu, também tinha um céu! Lá as estrelas brilhavam mais; Talvez porque estavam mais perto de Deus".
Coisas da Bia - Falando com o cachorro
FALANDO COM O CACHORRO
- Que lindo Bia, conversando com o Beto (o cachorrinho que mora na casa da vovó)?
- Não!... ele num fala...
- Que lindo Bia, conversando com o Beto (o cachorrinho que mora na casa da vovó)?
- Não!... ele num fala...
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